Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 reforçaram o debate sobre os desafios de aprendizagem no Brasil, sobretudo em Matemática e Leitura. Em Goiânia, a Secretaria Municipal de Educação (SME) aponta avanços na alfabetização, mas reconhece que o desafio é fazer com que o desempenho alcançado nos primeiros anos seja mantido durante toda a trajetória escolar.

Segundo a secretária municipal de Educação, Giselle Faria, Goiânia alcançou 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano no Indicador Criança Alfabetizada de 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Ministério da Educação (MEC).

“No Indicador Criança Alfabetizada de 2025, do Inep e do Ministério da Educação, Goiânia alcançou 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano e ficou em segundo lugar entre todas as capitais brasileiras, praticamente empatada com Teresina, que ficou em primeiro lugar com 80,58%”, afirmou.

De acordo com a secretária, o resultado representa um avanço de 11 pontos percentuais em relação a 2024, quando o índice da capital era de 69%. O percentual alcançado em 2025 também ficou cerca de 14 pontos acima do resultado nacional.

“É um resultado muito significativo porque Goiânia estava em 69% em 2024. Em um ano, avançamos 11 pontos percentuais e chegamos a um patamar cerca de 14 pontos acima do resultado nacional”, destacou.

Giselle também aponta avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Segundo ela, a Rede Municipal alcançou nota 6,6 nos anos iniciais, o maior resultado da série histórica de Goiânia e um desempenho que mantém a capital entre as cinco mais bem colocadas do país.

Apesar dos indicadores, a secretária reconhece que os resultados do Pisa mostram a necessidade de continuar avançando, principalmente nas áreas de alfabetização, leitura e Matemática.

“Isso não significa que Goiânia não tenha desafios. Temos, e os resultados nacionais reforçam a necessidade de continuar investindo principalmente em alfabetização, leitura e Matemática. Mas temos hoje evidências concretas de que a aprendizagem na Rede Municipal de Goiânia está avançando”, afirmou.

Acompanhamento da aprendizagem

Segundo Giselle, a estratégia da rede municipal passa pelo acompanhamento dos resultados dos estudantes para identificar dificuldades e direcionar intervenções pedagógicas. Nesse processo, a alfabetização na idade adequada é tratada como uma das prioridades.

“Nosso trabalho tem sido acompanhar os resultados de aprendizagem, identificar onde estão as dificuldades e atuar pedagogicamente a partir desses dados. A alfabetização na idade certa é uma prioridade porque sabemos que uma criança bem alfabetizada terá melhores condições de avançar em todas as demais áreas do conhecimento”, explicou.

A preocupação se relaciona a um dos pontos levantados por especialistas ouvidos pelo Jornal Opção após a divulgação do Pisa: dificuldades apresentadas pelos estudantes aos 15 anos podem ter origem em lacunas acumuladas desde os primeiros anos do ensino fundamental.

O presidente do Conselho Estadual de Educação de Goiás (CEE-GO), Jaime Ricardo, definiu o Pisa como uma “fotografia de uma trajetória educacional” e ressaltou que problemas identificados na adolescência podem ser consequência de defasagens construídas ao longo dos anos escolares.

Para a rede municipal, portanto, o desafio não termina quando a criança alcança a alfabetização na idade adequada. A intenção, segundo Giselle, é fazer com que o aprendizado seja consolidado conforme o estudante avança pelo ensino fundamental.

“O desafio agora é fazer com que esses resultados avancem ao longo de toda a trajetória escolar. Queremos que a criança que está sendo alfabetizada na idade certa continue aprendendo, avance em Língua Portuguesa, Matemática e Ciências e chegue aos anos finais com uma aprendizagem cada vez mais consolidada”, afirmou.

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