A falta de atenção, a perda de concentração e a redução do hábito da leitura estão entre os fatores associados à piora do desempenho dos estudantes em diferentes países, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgados nesta terça-feira, 8, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No Brasil, os estudantes apresentaram desempenho abaixo da média da OCDE nas três áreas tradicionais avaliadas pelo exame: Matemática, Ciências e Leitura. Na edição de 2025, o Pisa também avaliou uma quarta competência, de Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais.

Aplicado a cada três anos, o exame avalia conhecimentos e habilidades de estudantes de aproximadamente 15 anos. No Brasil, participaram da edição de 2025 30.140 alunos de 1.053 escolas, amostra que representa cerca de 2,18 milhões de estudantes dessa faixa etária.

Em Matemática, o Brasil registrou 377 pontos, contra uma média de 463 entre os países da OCDE, ficando na 71ª colocação. Em Ciências, foram 409 pontos, ante uma média de 482, colocando o país na 67ª posição. Já em Leitura, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos, contra 463 da média da organização, ficando em 52º lugar.

Na nova área de Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais, o Brasil ficou na 69ª posição, com 406 pontos. A competência avalia a capacidade dos estudantes de utilizar ferramentas digitais para solucionar problemas e executar tarefas.

Segundo a OCDE, a redução do hábito da leitura e as dificuldades de concentração e atenção estão associadas, entre outros fatores, às mudanças provocadas pela digitalização e pelo uso cada vez maior de ferramentas de inteligência artificial. O relatório chama atenção para o hábito de percorrer rapidamente conteúdos nas redes sociais e processar informações em alta velocidade, que pode estar relacionado à menor capacidade e motivação dos estudantes para lidar com textos e informações complexas.

O cenário não é exclusivo do Brasil. O Pisa 2025 registrou as menores médias da história da OCDE em Matemática e Leitura. Na leitura, por exemplo, houve queda em três quartos dos sistemas educacionais avaliados entre 2018 e 2025. A organização também identificou associação entre a distração provocada por dispositivos digitais durante as aulas e um desempenho acadêmico mais baixo.

Apesar dos resultados, o desempenho brasileiro permaneceu praticamente estável em relação às últimas edições. Em 2022, o país havia registrado 379 pontos em Matemática, 403 em Ciências e 410 em Leitura. A OCDE destaca ainda que o Brasil ampliou significativamente a cobertura de estudantes avaliados e, ao mesmo tempo, manteve resultados estáveis desde 2015.

Na comparação com outros países da América Latina, o Brasil apresenta desempenho intermediário. No resultado geral, ficou atrás de países como Uruguai, Chile, Costa Rica, Colômbia e México, mas apresentou pontuações superiores às de Peru, Equador, Argentina, El Salvador e Paraguai.

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