Novos remédios contra obesidade avançam além das canetas e chegam a perdas de até 28% do peso em estudos
28 agosto 2026 às 18h02

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Uma nova geração de medicamentos contra a obesidade começa a ampliar as possibilidades de tratamento para além das conhecidas canetas injetáveis. Entre as alternativas em desenvolvimento estão comprimidos de uso diário e substâncias que atuam simultaneamente em diferentes mecanismos ligados à fome, à saciedade e ao metabolismo.
Um dos medicamentos que concentram as atenções é o orforglipron, da Eli Lilly, administrado por via oral. Outra substância em estudo é o elecoglipron, da AstraZeneca. Além do tratamento da obesidade, medicamentos desse tipo também são avaliados para pacientes com diabetes tipo 2.
Em estudo clínico com mais de 3 mil adultos com obesidade, o orforglipron levou a uma redução média de 11,2% do peso corporal após cerca de 16 meses entre os participantes que receberam a dose mais elevada. Segundo resultados divulgados pela Eli Lilly, mulheres na peri e pós-menopausa apresentaram perda média de 14% do peso durante o tratamento.
O medicamento também é estudado para outras condições relacionadas ao metabolismo, entre elas hipertensão e síndrome dos ovários policísticos.
Medicamentos miram diferentes hormônios
Outra linha de pesquisa busca potencializar a perda de peso por meio da atuação simultânea sobre diferentes hormônios envolvidos no controle do apetite e do metabolismo.
É o caso da retatrutida, substância que atua nos receptores de GLP-1, GIP e glucagon. Estudos clínicos apontaram reduções expressivas de peso entre os participantes submetidos ao tratamento.
Em pesquisas com acompanhamento prolongado, a perda média chegou a cerca de 28% do peso corporal, enquanto parte significativa dos participantes alcançou reduções superiores a 30%. A substância também vem sendo avaliada entre pacientes com problemas nos joelhos associados à obesidade, diante do impacto que a redução de peso pode exercer sobre as articulações.
Apesar dos resultados, a retatrutida ainda passa por estudos clínicos e não está disponível como tratamento regular.
Preservação da massa muscular também entra no foco
As pesquisas não estão concentradas apenas em aumentar a quantidade de peso perdido. Uma das preocupações é reduzir a perda de massa muscular que pode acompanhar emagrecimentos significativos.
Entre as substâncias estudadas está o bimagrumabe, que busca favorecer a preservação ou o aumento da massa muscular durante a redução de gordura corporal.
Outra alternativa em investigação pertence à classe dos análogos de amilina. Esses medicamentos procuram reproduzir a ação de um hormônio liberado pelo organismo juntamente com a insulina e que participa, entre outros processos, da regulação da saciedade.
Essas opções ainda estão em desenvolvimento clínico e dependem da conclusão dos estudos sobre eficácia e segurança antes de eventual aprovação pelos órgãos reguladores.
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