Novo remédio para Parkinson é aprovado nos EUA e promete melhorar tempo de mobilidade dos pacientes
01 outubro 2026 às 11h30

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Um novo medicamento para tratar a doença de Parkinson deve chegar às farmácias dos Estados Unidos já em outubro. O tavapadon, comprimido oral de uso diário, recebeu autorização da agência que regula medicamentos e alimentos no país e será comercializado como Juvmo pela farmacêutica AbbVie. Indicado para adultos, o remédio pode ser usado sozinho ou em combinação com a levodopa, medicamento tradicionalmente utilizado no tratamento da doença. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não tem previsão para analisar o registro do produto.
O diferencial do tavapadon está na forma como atua no cérebro, diferente da adotada por medicamentos disponíveis. O fármaco age sobre receptores de dopamina, neurotransmissor ligado ao controle dos movimentos, e foi desenvolvido para atuar principalmente nos receptores D1 e D5, associados à função motora.
Entenda a doença
O Parkinson acomete mais de 11 milhões de pessoas em todo o mundo. Ele aparece quando os neurônios produtores de dopamina morrem gradualmente, substância que o cérebro emprega para comandar os movimentos. Na ausência dela, o corpo fica lento e rígido, braços e pernas tremem, a postura se curva e o rosto perde expressão. Além disso, a enfermidade pode provocar prisão de ventre, perda do olfato, sono ruim, depressão e dores.
Os tratamentos tradicionais tentam repor o efeito da dopamina. A levodopa, base da terapia, é convertida em dopamina pelo próprio cérebro; outros remédios imitam a substância e, em determinados casos, um implante de eletrodos no cérebro contribui para regular os circuitos do movimento.
Com o passar dos anos, contudo, cada dose passa a durar menos. O paciente alterna períodos em que se move bem, chamados de “on”, com momentos em que os sintomas retornam, os “off”. Elevar a dose traz alívio, porém pode desencadear movimentos involuntários, as discinesias, que podem incomodar mais do que a própria doença.
O que mostrou o estudo
O principal ensaio de fase 3, publicado em maio na revista científica JAMA Neurology, acompanhou 507 pessoas que já faziam uso de levodopa e passavam, em média, cinco horas e meia por dia em estado “off”. Após 26 semanas, quem recebeu tavapadon conquistou 1,7 hora diária de boa mobilidade, contra 0,6 hora no grupo tratado com placebo, uma diferença de 1,1 hora. O tempo de sintomas também recuou quase duas horas por dia com o fármaco, o dobro da redução verificada com o placebo.
Uma hora a mais por dia pode parecer pouco, mas ela pode representar vestir-se sozinho, sair de casa, caminhar ou trabalhar por mais tempo, todos os dias. O ganho, porém, é da mesma ordem do obtido com outros remédios usados em conjunto com a levodopa.
O tavapadon não proporciona mais horas de mobilidade do que eles, e a vantagem enxergada pelo médico reside na possibilidade de ser mais bem tolerado.
Efeitos adversos e cuidados
O tavapadon não é isento de reações. No estudo, 71,7% dos pacientes que o tomaram relataram algum efeito, contra 55,1% com placebo. Os mais frequentes foram enjoo, movimentos involuntários e tontura, em geral leves ou moderados. Cerca de 17% abandonaram o tratamento por esse motivo, quase o dobro em relação ao grupo placebo.
Um ponto chamou mais a atenção: a pressão arterial. Em pé, a pressão dos pacientes tratados caiu, em média, 8,6 mmHg, e 6% tiveram queda ao levantar, contra 1,2% com placebo.
As compulsões, principal motivo de abandono dos remédios atuais, apareceram em 2,4% dos tratados e em 1,2% do grupo placebo. Os autores do estudo não consideram a diferença relevante. Só o uso prolongado mostrará se o risco é de fato menor.
O tavapadon trata os sintomas, mas não impede a morte dos neurônios. Ele faz com que as células que ainda funcionam aproveitem melhor a dopamina disponível, e o efeito dura enquanto o remédio é tomado. Por trás disso, a doença segue avançando.
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