No último dia de desfiles no Rio, escolas homenageiam famosas personalidades brasileiras

Unidos de Vila Isabel, Salgueiro, São Clemente, Portela, Imperatriz Leopoldinense e Mangueira fecharam festa carioca nesta segunda-feira

O carnaval do Grupo Especial das escolas de samba do carnaval carioca foi aberto nesta segunda-feira (8/2), como ocorreu no domingo (7) com o Hino Nacional tocado pela Banda Sinfônica da Guarda Municipal do Rio.

Os casais de mestre-sala e porta-bandeira de todas as escolas do grupo foram os primeiros a atravessarem a avenida. Eles desfilaram em uma alegoria com a tocha olímpica e as bandeiras do município e do estado do Rio , além da bandeira olímpica. O desfile foi ao som de Cidade Maravilhosa.

Unidos de Vila Isabel

Foto: Marco Antônio Cavalcanti/ Riotur

Vila Isabel homenageou o centenário de Miguel Arraes | Foto: Marco Antônio Cavalcanti/ Riotur

A Unidos de Vila Isabel foi a primeira escola a desfilar e a entrada da bateria no setor 1 do Sambódromo foi recebida com uma torcida forte na arquibancada popular. O samba-enredo em homenagem ao centenário de Miguel Arraes levantou os ocupantes da avenida, que acompanhavam o desempenho da escola. Faltando dois setores para o fim da pista de desfile, o intérprete do samba-enredo da Vila Isabel parou de cantar e pediu para o público entoar o samba, e a reposta veio de imediato, com um canto forte.

O compositor Martinho da Vila, que além de ter proposto o enredo é um dos autores do samba, acompanhou emocionado a chegada das alas e das alegorias na dispersão da escola. “É uma emoção muito grande. Dá uma sensação de missão cumprida. Foi uma beleza”, disse.

Bira do Banjo, que há 20 anos pertence à ala de compositores da Vila Isabel, não aguentou e caiu em prantos no fim do desfile “Eu sou nascido na Vila Isabel. A gente passa por uma série de problemas e a Vila está aí, e quem é sabe! Então, ver a escola passar assim é empolgante. Como compositor eu tenho uma história, e quando você vê os amigos, todo mundo unido, desculpe, a gente chora”, contou.

Bira disse que quando entrou para a Vila era empurrador de carros, depois passou para a bateria e harmonia da escola.

Também sem conter a emoção estava o presidente da escola, Luciano Ferreira, que explicou o motivo do envolvimento dos componentes da escola, que contribuiu para o desfile. “Eu tenho uma caminhada aguerrida, só isso que posso dizer”, completou, chorando.

O presidente disse ainda que o enredo se encaixou bem no estilo da escola. “Tinha tudo a ver com o momento da escola, a comunidade abraçou o enredo. Os componentes nos nossos ensaios mostravam a cada dia um canto melhor. Eu acreditei neles e vou sempre acreditar na minha comunidade”, concluiu.

Salgueiro

Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

O malandro, figura romântica do Rio de Janeiro, foi o tema da Salgueiro | Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

O Salgueiro colocou o malando na praça outra vez. Logo que o samba enredo da escola começou a ser tocado na Marquês de Sapucaí, o público, em todos os setores do Sambódromo, acompanhou com uma vibração contagiante. Era um sinal do ritmo forte que a segunda escola da noite imprimiria na avenida para apresentar o enredo A Ópera dos Malandros, desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage. “O que eles fizeram na bateria foi show de bola”, disse o mestre Marão, sobre a Furiosa, como é chamada a bateria do Salgueiro.

As alegorias extensas e pesadas não impediram que a escola evoluísse no tempo sem atropelos. Vários tipos de malandro passaram pela avenida em um desfile marcado pela alegria dos componentes.

A tia Taninha, do Caxambu, no Morro do Salgueiro, foi passista, ritmista e agora está na Velha Guarda. Ela disse que o samba mexeu com os componentes. “Que beleza, muito bom. Dá uma emoção danada, não tem explicação”, disse, avaliando a possibilidade da escola conquistar o título de campeã. “Vamos ver, quem sabe é jurado! Estamos na briga. Senti que a escola veio bem e a comunidade gostou do samba, foi apoiado”.

Apesar do bom desfile, o abre-alas da escola teve um problema de iluminação durante o desfile, mas voltou pouco depois ao normal.

São Clemente

Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Tema da escola foi Mais de Mil Palhaços no Salão | Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Outra escola que também apresentou problemas foi a São Clemente. O carro O Grande Circo e o Respeitável Público emperrou diante do setor 7 e foi preciso ter o auxílio da ala da força com cerca de 12 empurradores para que se movimentasse. Mas o público aplaudiu. “A gente se juntou para dar uma força e empurrar para engrenar”, disse Agnaldo Gonçalves, que é da ala da força da São Clemente.

O desfile da amarelo e preto de Botafogo, na zona sul do Rio, foi descontraído e seguindo exatamente o enredo Mais de Mil Palhaços no Salão. “Mais uma escola cantando o circo nesta grande ópera popular. Viva o circo! Estou muito feliz. Parece que tudo valeu a pena. 30 anos de entrega voluntária, de amor, doação para um segmento que é o circo. Hoje vê-lo cantado dessa forma tudo valeu a pena”, disse o ator Marcos Frota, que tem um circo e desenvolve projetos de arte circense. No grupo da Série A, ele tinha desfilado na sexta-feira com a Porto da Pedra, em homenagem ao palhaço Carequinha.

A carnavalesca Rosa Magalhães veio sentada em uma das alegorias, que representava o Castelo dos Bobos e a Carroça dos Saltimbancos. É um costume de Rosa vir misturada a outros componentes em alegorias.

No final da escola ela transformou a avenida em um panelaço. Duas alas vieram com panelas e tampas nas mãos e os palhaços se manifestavam, tocando no ritmo do samba. O carro que veio logo atrás estava todo decorado nas laterais com panelas de diversos tamanhos e se chamava Manifesto do Palhaço.

Portela

Rio de Janeiro, 08/02/2016 Desfile na | at Sapucaí – Grupo Especial Foto | Photo: Marco Antônio Cavalcanti | Riotur --------------------------------------------------

Desfile da Portela mostrou viagem do símbolo da escola, a águia, pela humanidade | Foto: Marco Antônio Cavalcanti/ Riotur

Depois da São Clemente quem impressionou o público foi a Portela. A viagem da águia, símbolo da escola, pela humanidade, garantiu o destaque de ter sido considerada, junto com o Salgueiro e a Mangueira, como as melhores apresentações do segundo dia do Grupo Especial.

Para contar o enredo No voo da águia, uma viagem sem fim, o carnavalesco Paulo Barros modernizou a escola e agradou os integrantes da Velha Guarda, pelo respeito à tradição da azul e branco. “Ele não fugiu à tradição e fez um trabalho maravilhoso”, indicou Tia Surica desfilou no chão antes da comissão de frente. “Eu fiquei muito emocionada, mas pela minha escola faço qualquer coisa”.

A comissão de frente, como já é uma das marcas dos desfiles de Paulo Barros, causou forte impacto no público. Ela representava a Odisseia de Homero. Os integrantes, que são bailarinos, tiveram que se movimentar muito. Eles subiam em uma alegoria onde estava o atleta de flyboard Cláudio Matos, vestido de Poseidon, deus da mitologia grega. O equipamento usado por ele permitiu ser elevado com jatos de água a uma altura de até de 30 metros e ficar parado no ar. Toda vez que isso acontecia ao longo do desfile, o público vibrava.

Por causa dos movimentos rígidos, necessários para realizar a coreografia, os integrantes da comissão tiveram o auxílio nos ensaios do fisioterapeuta Vitor Pessanha e do preparador físico Jalber Rodrigues. “É uma coreografia inusitada e tem muito esforço físico. Além de trabalhar a parte física a gente trabalhou a eficiência mecânica e isso foi bem legal para o resultado final”, contou Jalber.

O fisioterapeuta confeccionou uma bota especial para cada integrante para amenizar possíveis lesões de tornozelo, já que os bailarinos desciam de uma parte muito alta da alegoria. Momentos antes do desfiles eles fizeram um trabalho com os bailarinos.

“Na concentração foi feito um trabalho de massagem para deixar a musculatura bem solta para eles realizarem os movimentos na avenida. Com o Jalber, eles fizeram um trabalho para a musculatura chegar ativada para dar tudo certo e graças a Deus conseguimos”, disse Vitor. Os dois nunca tinham feito trabalhos para escolas de samba.

Imperatriz Leopoldinense

Rio de Janeiro, 08/02/2016 Desfile na | at Sapucaí – Grupo Especial Foto | Photo: Marco Antônio Cavalcanti | Riotur

Dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano foi homenageada pela escola | Foto: Marco Antônio Cavalcanti/ Riotur

No último dia de desfiles do Carnaval de 2016, nesta segunda-feira (9/2), a Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida a dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano. Os dois estavam no último carro, que fazia referência à música É o Amor, sucesso que marcou a trajetória dos irmãos.

Com a presença de outros nomes do sertanejo, como a dupla Chitãozinho e Xororó e a cantora Paula Fernandes, escola fez uma grande homenagem ao gênero musical e aos dois irmãos. Confira como foi a apresentação aqui.

Mangueira

Foto: Gabriel Santos/ Riotur

Bethânia foi a homenageada pela Mangueira, em desfile emocionante que comemorou seus 50 anos | Foto: Gabriel Santos/ Riotur

O encerramento da noite ficou por conta da Mangueira, em um desfile que emocionou o público. A homenageada foi a cantora Maria Bethânia, pelos 50 anos de carreira. O enredo Maria Bethânia- a menina dos olhos de Oyá permitiu uma Mangueira diferente dos últimos anos.

“Tinha pouco ferro, não tinha muito esplendor. Acho que foi um desfile com visual moderno. Tem um visual diferente, mais leve. Para a Mangueira foi diferente e fico feliz deles terem gostado para caramba”, disse o carnavalesco Leandro Vieira, na dispersão da Marquês de Sapucaí, que durante o desfile comentou que o dengo da baiana estava “dando certíssimo”. O dengo da baiana é uma parte da letra do samba-enredo.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, que é mangueirense, entrou na avenida à frente da escola. Ele disse que o enredo da Mangueira permitiu ainda um apoio à negação à intolerância religiosa. Juca Ferreira destacou também que a carreira de Bethânia é marcada pela valorização da música brasileira e resgate da cultura popular. “Bethânia é uma das grandes artistas do Brasil e seu canto está muito vinculado à cultura popular brasileira. O resgate, a defesa e o canto. Ela expressa o que de há de melhor no Brasil em termos culturais”, disse.

A Mangueira também tinha uma alegoria intitulada Abelha Rainha, mas era uma relação de como a cantora é chamada após ter gravado a música Mel. Neste carro vieram vários amigos da cantora como as também cantoras Ana Carolina, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan, o compositor Moacyr Luz, e a diretora de teatro Bia Lessa, que já dirigiu vários espetáculos de Bethânia.

No fim do desfile, Maria Bethânia, emocionada, acenou para o público das arquibancadas populares da Praça da Apoteose. Ela desfilou no último carro, chamado de Céu de Lona Verde e Rosa, ao lado das afilhadas Nina e Júlia, de 12 anos, e enquanto dava um abraço nelas ouviu o público consagrando a escola com o grito de é campeã.

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