Neutralidade nacional não muda cenário em Goiás: federação mantém palanque de Caiado, diz lideranças
22 julho 2026 às 18h49

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A decisão da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República não altera o cenário político em Goiás. Lideranças das duas siglas ouvidas pela reportagem afirmam que o grupo seguirá unido em torno da pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ao Palácio do Planalto, independentemente da orientação nacional da federação.
A definição, tomada durante reunião realizada na noite de terça-feira, 21, pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), indica que a federação não integrará, neste momento, a campanha do pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A tendência também é que o Republicanos adote postura semelhante, o que pode deixar o liberal sem o apoio de dois importantes grupos do Centrão.
Segundo dirigentes da federação, a orientação será pela autonomia dos diretórios estaduais para definir seus palanques na eleição presidencial, permitindo que cada estado decida apoiar Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou outro candidato.
Como fica em Goiás
Em Goiás, o deputado estadual Jamil Calife (PP), pré-candidato à reeleição, afirmou que a decisão nacional não interfere no posicionamento do grupo político goiano.

“Independentemente da decisão da Federação Nacional, nós estaremos com o Ronaldo Caiado. Eu não sei se eles vão liberar, mas, com liberação ou sem liberação, aqui em Goiás estaremos com o Ronaldo Caiado”, afirmou.
Calife disse acreditar que ainda existe a possibilidade de a própria Federação União Progressista declarar apoio à candidatura de Caiado já no primeiro turno, apesar da saída do governador do União Brasil.
“A política tem essa capacidade de aglutinar apoios. Não existem inimigos permanentes, mas adversários. Quando há um projeto maior, essas divergências ficam para trás. Acredito que existe, sim, a possibilidade de a federação apoiar o Caiado já no primeiro turno”, destacou.
O parlamentar também afirmou que, caso Caiado não avance ao segundo turno, a tendência do PP em Goiás seria apoiar Flávio Bolsonaro. No entanto, ressaltou que essa hipótese não faz parte do cenário considerado pelo partido.
“Nós acreditamos que o segundo turno será entre Caiado e Lula. Temos uma expectativa muito forte de que, quando começarem os debates, o Caiado vai conquistar o eleitorado. Para mim, ele estará no segundo turno”, declarou.
O prefeito de Jaraguá, Paulo Vitor (União Brasil), também minimizou os efeitos da decisão nacional da federação e afirmou que o grupo político goiano continuará alinhado ao governador.

“Aqui em Goiás não tem discussão: somos Ronaldo Caiado e ponto. Nesta quinta-feira, 23, teremos uma reunião e a orientação será passada, mas aqui todo mundo é Caiado”, disse.
Para o prefeito, a saída de Caiado do União Brasil não representa um obstáculo para uma eventual aliança da federação com o governador durante a disputa presidencial.
“O deputado e presidente estadual da sigla, Bruno Peixoto conversou com o presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, e com o deputado Zé Nelto. Pelo que sabemos, ficou tudo muito bem encaminhado. Aqui em Goiás está todo mundo unido com Caiado”, afirmou.
Paulo Vitor acredita que a autonomia concedida aos estados poderá abrir espaço para que Goiás mantenha seu próprio projeto político.
“Acho que cada estado terá autonomia para isso. O Ronaldo tem dialogado muito, é uma pessoa de convergência e está extremamente preparado. Além disso, Gilberto Kassab é um grande articulador. Pode haver muitas surpresas nos próximos dias”, ponderou.
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