Mutirão de Iris maquia setores, não leva benefícios e decepciona população

Jornal Opção percorreu bairros da região norte, onde foi realizado o primeiro evento da prefeitura, e constatou que intervenções se concentram em poucos locais

Mutirão da prefeitura no Parque das Flores não convenceu: Semáforo demorou mais vinte dias para voltar a funcionar e, segundo moradores, não resolveu problema de acidentes na região | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Depois de cinco meses em marcha lenta, o prefeito Iris Rezende (PMDB) fez a primeira “grande ação” do mandato nos últimos dia 3 e 4 de junho ao anunciar a retomada dos mutirões. Na ocasião, começando pelo norte da capital, a prefeitura prometeu não só prestar serviços de saúde e de emissão de documentos como também percorrer os bairros da região com “ações de limpeza e melhoria na infraestrutura”.

Um mês após o evento, no entanto, o Jornal Opção foi até o centro do mutirão, a Avenida Eurico Viana, no Parque das Flores, e constatou que a passagem da prefeitura pelo local foi bem mais modesta que o alardeado pelo Paço. Restritas, as ações se concentraram basicamente nesta rua e, para alguns moradores, causaram mais transtornos que qualidades.

É o que relata o frentista Maurício Alexandrino, que trabalha em um posto na Eurico Viana. Segundo ele, a intervenção da prefeitura não melhorou o trânsito nem solucionou o problemas dos acidentes, constantes no local. A prefeitura não só demorou vinte dias para colocar o sinaleiro instalado na via em funcionamento como também desenhou uma ilha em que, conta o frentista, os motoqueiros continuam batendo quando tentam fazer a curva. Neste trecho, na avenida Carrinho Cunha, apenas algumas árvores foram podadas e a sinalização ainda é precária.

O serviço foi tão centralizado no local onde foi montada a estrutura do mutirão que, logo antes do início da Eurico Viana, na Avenida Goiás Norte, apenas parte do meio-fio recebeu pintura. No ponto em que acaba a Avenida Nerópolis e começa a via, nada de faixas de pedestre ou sinalizações no asfalto. As intervenções só começam mais à frente.

Serviço foi tão centralizado que ruas diretamente ligadas à Avenida Eurico Viana, como a Carrinho Cunha e a Nerópolis, não receberam melhoria alguma e seguem sem sinalização | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Além disso, Maurício lembra que, para terminar as obras da avenida, que já haviam sido iniciadas anteriormente, a parte da rua em que fica o posto ficou interditada. Com isso, o movimento no local caiu significativamente. “Atrapalhou demais, nem abaixando o preço do combustível teve movimento”, pontuou.

Na loja em frente, a Comercial Fernandes, a vendedora Sirlei Alves engrossou o coro: “Esperávamos que trouxesse melhorias para a população, mas eu não vi benefício nenhum. Fez foi atrapalhar o movimento”. Ela também negou ter visto grandes serviços na região e disse que eles só podaram algumas árvores, limparam dois terrenos e pintaram a avenida.

“Não vi benefício algum, fez foi atrapalhar o movimento”, criticou vendedora que trabalha na região | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Sirlei fez ainda uma outra queixa: nem mesmo os propagandeados serviços como exames de visão, por exemplo, estavam sendo prestados. Acompanhada de uma colega de loja, a vendedora chegou a ir ao mutirão para tentar ser atendida e, mesmo chegando antes das sete horas, quando entra no trabalho, não conseguiu entrar na lista.

“Chegamos antes da sete e nos informaram que já não tinha mais senha. Agora eu te pergunto: Como que não tem mais vaga às 7 horas?”, questionou. De acordo com ela, outro colega levou a família, que mora em Trindade, para fazer exames oftalmológicos e tampouco conseguiu atendimento, mesmo chegando cedo.

Para Maurício, mutirões nem de longe são a resposta que a população espera de um prefeito. “Por que eu iria em um mutirão para cortar cabelo, fazer exame de vista e medir pressão? Isso eu pago R$30, R$50 e faço. Vou ficar o dia todo em uma fila esperando para fazer isso?”, ironizou. “Queremos trabalho, queremos resultado.”

Mais de um mês depois, obras em posto de saúde no Balneário ainda não foram concluídas

Centro de Saúde ganhou pintura nova e teve infiltrações consertadas, mas, mais de um mês após o mutirão, obras ainda não foram concluídas e parte delas, como a instalação de corrimões de segurança, foram canceladas | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Outra promessa era de melhorar a estrutura dos centros de saúde da região. Na verdade, apenas o do Balneário Meia Ponte recebeu serviços que, de fato, ainda nem terminaram. Parte da pintura ainda não foi concluída; a porta principal, que precisa ser trocada, permanece lá; e algumas das medidas previstas inicialmente, como a de instalar corrimões para segurança e auxílio dos pacientes, foram canceladas pelo Paço, informou a diretora da unidade, Lysia Alla.

Segundo ela, além da pintura, foram trocadas algumas lâmpadas e consertadas infiltrações no teto de algumas salas. Na frente do centro de saúde, uma paciente que preferiu não se identificar afirmou não ter visto muitas mudanças no bairro: “Só na questão da sinalização, que realmente estava precisando”.

Na frente da unidade, a via está realmente sinalizada. Mas só. Dois quarteirões acima, no mesmo bairro, as ruas seguem sem qualquer serviço da prefeitura. Em outros postos de saúde da região, como o do Itatiaia, o mutirão sequer chegou e a unidade segue sem nova pintura ou outro tipo de reforma.

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