Mulher pisoteada por PM em SP é acusada de cometer quatro delitos

Por reagir contra PM para defender seu amigo que estava apanhando, ela foi denunciada por lesão corporal e desacato, além de outros dois delitos

Momento em que comerciante é pisoteada por policial. Imagem: Reprodução/TV Globo

A comerciante de 51 anos que foi pisoteada no pescoço por PMs na zona sul de São Paulo, em Parelheiros, foi indiciada pelo Ministério Público pelos crimes de infração de medida sanitária preventiva, desacato, resistência e lesão corporal contra um dos policiais envolvidos. A defesa da comerciante classificou a denúncia como “estapafúrdia”.

Em maio de 2020, a comerciante ouviu gritos em frente ao bar que administrava. Ao sair na porta com um rodo na mão, ela viu um policial agredindo seu amigo. Segundo ela, ele estava ensanguentado. Ela então, teria batido três vezes no policial para que ele soltasse a pessoa. O PM por sua vez, partiu para cima dela e lhe deu socos, chutes, puxão no cabelo e a pisoteou no pescoço.

No vídeo que mostra a agressão, é possível ver que a mulher desmaia em alguns momentos quando o policial a pisoteava. “Achei que iria ser morta como ele [George Floyd]. Eu estava no chão e lembrava daquela cena dele. Achei que iria morrer ali”, disse na época ao programa Encontro, da TV Globo.

Na época, os PMs foram indiciados por lesão corporal, abuso de autoridade, falsidade ideológica e inobservância de regulamento, além de terem sidos afastados das atividades nas ruas.

A promotora que registrou as denúncias, Flávia Sgobi, alegou que: “Diante dos elementos trazidos ao conhecimento do Ministério Público pela autoridade policial, a Promotoria ofereceu denúncia contra a senhora Elisabete. (…) Na fase processual, com direito à ampla defesa, os fatos apurados durante a investigação serão devidamente esclarecidos”.

O advogado da comerciante, Felipe Morandini, classificou a denúncia como “estapafúrdia”. “Mesmo após a notícia ter se espalhado o mundo, e causado revolta em todos, a mesma foi ignorada pelo membro do Ministério Público, que se baseou nas informações do Boletim de Ocorrência. Ignorou as imagens que foram noticiadas, e são de conhecimento público. Trabalharei incansavelmente pela defesa da comerciante, e principalmente, para que esta denúncia seja rejeitada pelo juízo. Não é (e não pode ser) possível que fatos notórios como estes sejam ignorados pelo Órgão Ministerial no momento de denunciar qualquer um que seja”, disse o advogado.

Segundo Morandini, a decisão de levar adiante as denúncias cabe ao juiz. “Agora eu tenho que aguardar a decisão do juiz, se ele vai receber a denúncia. Eu espero que seja rejeitado, mas sendo aceito será feita a defesa”, afirmou.

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