Mulher com câncer denuncia que gestão Adib abandonou pacientes em SP

Segundo Sabrina Remiggi, que faz tratamento em Barretos, motorista a deixou no hospital e não voltou mais 

Sabrina Remiggi | Foto: divulgação

Uma moradora de Catalão denunciou ao Jornal Opção que a gestão do prefeito Adib Elias (PMDB) abandonou, sem nenhuma explicação, pacientes que fazem tratamento de câncer em Barretos (SP).

Segundo Sabrina Remiggi, que luta contra um câncer de mama, a van que faz o transporte dos pacientes a deixou com a mãe no hospital na terça-feira (29/8) e nunca mais retornou para buscá-las.

O combinado, conta, era que a volta acontecesse na quarta (30), quando ela teria realizado os últimos exames. “Deixei avisado que dormiria em Barretos, mas que no dia seguinte precisaria voltar porque deixei meus três filhos sozinhos. No entanto, quando saí, não conseguíamos localizar o motorista”, explicou.

Sem dinheiro e sem onde ficar, a moradora tentou contato com os responsáveis pelo transporte na Secretaria Municipal de Assistência Social, identificados por ela como Idelvam e Neusa, mas sem sucesso. “Ninguém sabia de nada, tive que acionar o promotor Roni [Alvacir Vargas] para pedir socorro. Fomos acolhidos pela assistência social de Barretos senão teríamos dormido na rua”, lamentou.

Sabrina Remiggi afirma, ainda, que ela e a mãe não foram as únicas desamparadas. Outro paciente, Mário Roberto Pereira, que havia recebido alta do hospital e precisava voltar para Catalão, também não foi buscado. Ele estava acompanhado da esposa, Denize Pereira.

“Não pode deixar pacientes abandonados, é um absurdo o que aconteceu. Até a assistente social de lá ligou na Prefeitura de Catalão. Falou com eles, mas não conseguiu”, completou.

“Humilhação”

Denize Pereira se emocionou durante entrevista ao Jornal Opção ao falar da situação pela qual teve que passar. “Fomos humilhados, é uma covardia. Meu marido deitado no banco na porta da casa de apoio, sem dinheiro para comprar remédio. Nos trataram como lixo, um descaso completo”, lamentou.

Segundo ela, o marido recebeu alta e aguardava um carro da Prefeitura de Catalão para poder voltar para casa. Apesar de ter confirmado tanto com Idelvam como com Neusa (apontados como responsáveis pelo serviço na gestão Adib Elias), ficou esperando em vão.

“Eu falei com o motorista que eles me indicaram, um tal de Samuel, que me disse que chegaria em 30 minutos. Nunca apareceu, liguei na prefeitura, falaram que não estavam conseguindo falar com ele, que iam mandar nos buscar, mas aí depois disseram pra esperar. Para voltar hoje [quinta-feira] de manhã. Como? Nós estávamos sem dinheiro, sem onde dormir, meu marido sem remédios”, completou.

Prints da conversa por WhatsApp de Denize com Idelvam, que não a respondia | Fotos: divulgação

Na porta da casa de apoio, Denize Pereira e Sabrina Remiggi tentaram por diversas vezes resolver a situação com a prefeitura, mas foi só após acionarem o deputado estadual Gustavo Sebba (PSDB), filho do ex-prefeito Jardel Sebba (PSDB), que conseguiram chegar em Catalão. O parlamentar mandou um carro particular buscar os quatro na cidade paulista.

O caso será denunciado ao Ministério Público do Estado de Goiás, informam os pacientes. “É um direito nosso ter tratamento digno, está na Constituição. É um absurdo o que fizeram”, arrematou Sabrina Remiggi.

Outro lado

Jornal Opção tentou contato com a Prefeitura de Catalão, mas o expediente local só vai até as 16 horas. O espaço está aberto para esclarecimentos.

 

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