MPF apura desmatamento ilegal em território quilombola de Cavalcante

Quase mil hectares do território quilombola Sítio Histórico do Patrimônio Cultural Kalunga foi desmatado

Ação da Dema na Fazenda Alagoas na região de Cavalcante (Foto: PC/ Divulgação)

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, na última segunda-feira, 8, notícia de fato para apurar desmatamento ilegal de cerca de mil hectares do território quilombola denominado Sítio Histórico do Patrimônio Cultural Kalunga, em Cavalcante.

A notícia de fato foi aberta a partir de notícias veiculadas na imprensa acerca da operação desencadeada, no último 4 de junho, pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás (Semad) e Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), quando se identificou o crime ambiental.

De acordo com dados iniciais extraídos de comparações feitas por imagens de satélite, foram desmatados efetivamente cerca de 530 hectares e há indícios de desmatamento de outros 267ha de área da Fazenda Alagoas —propriedade particular não desapropriada e inserida no interior do território Kalunga —, mais precisamente nas proximidades da nascente do Rio da Prata, em Cavalcante. O dano ainda teria alcançado parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto.

Segundo moradores da região, o desmatamento foi feito com o uso de “correntão”, técnica em que correntes presas a tratores suprimem, rapidamente, a vegetação. Seu uso, no entanto, é considerado agressivo ao meio ambiente e coloca animais e plantas em risco. De acordo com as informações levantadas até agora, a Fazenda Alagoas teria sido arrendada, em abril deste ano, a uma fazendeira de Catalão (GO) pela Agropecuária do Rio Prata, pertencente aos irmãos Gustavo, Francisco e Cristina Figueiredo Bannwart.

Em entrevista, a secretária da Semad, Andrea Vulcanis, informou que não foram expedidas licenças para o desmate na região e que a mata estava absolutamente preservada antes da ação dos tratores e dos “correntões”. Durante a operação, foram apreendidas 300 toneladas de calcário, minério utilizado para controle do solo em exploração agrícola.

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