México afirma que agentes dos EUA mortos em operação no país não tinham autorização para atuar
26 abril 2026 às 16h10

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O governo do México declarou no sábado, 25, que os dois cidadãos americanos mortos após uma operação ligada ao combate ao narcotráfico no estado de Chihuahua não tinham autorização oficial para atuar no país. O caso também resultou na morte de dois agentes mexicanos.
Segundo autoridades, os quatro morreram no último domingo, 19, após um acidente de carro na região de fronteira com os Estados Unidos. O veículo em que estavam saiu da pista, caiu em um barranco e explodiu.
De acordo com a Secretaria de Segurança do México, não há registro de permissão para que agentes estrangeiros participassem de ações operacionais em território mexicano. O governo ressaltou ainda que nenhuma instância federal tinha conhecimento da presença dos americanos nesse tipo de atividade.
Registros migratórios indicam que um dos americanos entrou no México como visitante, sem autorização para exercer atividade remunerada, enquanto o outro utilizou passaporte diplomático. Ainda assim, segundo o comunicado oficial, nenhum deles possuía credenciamento formal para participar de operações no país.
As explicações sobre a presença dos dois estrangeiros mudaram ao longo da semana. Inicialmente, autoridades mexicanas informaram que eles participavam de uma operação contra laboratórios clandestinos de drogas sintéticas.
Posteriormente, uma nova versão foi apresentada: os americanos estariam no México para ministrar um curso sobre uso de drones e teriam solicitado entrar em um dos veículos ao retornarem da atividade.
Nos Estados Unidos, o embaixador no México afirmou que os dois faziam parte da equipe da embaixada americana. Já veículos de imprensa americanos levantaram a hipótese de ligação com a Agência Central de Inteligência (CIA), o que não foi confirmado oficialmente.
A legislação mexicana proíbe a participação direta de agentes estrangeiros em operações no país. A cooperação internacional ocorre, em geral, por meio de troca de informações e coordenação entre autoridades.
Em nota, o governo mexicano reiterou que não autoriza a atuação de agentes estrangeiros em atividades operacionais em seu território e informou que o caso está sendo analisado em conjunto com autoridades locais e com a embaixada dos Estados Unidos.
O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre México e Estados Unidos no combate ao narcotráfico. A Casa Branca afirmou nesta semana que pretende ampliar a cooperação para conter o fluxo de drogas na fronteira.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, tem defendido que a colaboração entre os países seja restrita ao compartilhamento de informações, sem a participação direta de agentes estrangeiros em operações no país. As investigações sobre o caso seguem em andamento.

