Federação da Indústria diz que desempenho reforça característica diferenciada da produção goiana, baseada sobretudo na agroindústria

Dados atualizados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgados nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a produção física da indústria goiana cresceu 3% em maio/2020, a despeito da pandemia do coronavírus. Essa é a segunda alta consecutiva do indicador, que havia fechado abril com incremento de 2,3%.

De acordo com relatório analítico divulgado pela área técnica da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), o resultado de Goiás acompanha a tendência nacional de recuperação, apesar de, no período de janeiro-maio/2020, acumular queda de 0,3%. “O bom comportamento da atividade industrial é um alento para a economia, porém há muito o que recuperar”, avalia o assessor econômico da Fieg Cláudio Henrique Oliveira.

Nacionalmente, foi observado crescimento de 7% da atividade industrial na passagem de abril para maio de 2020, na série livre de influências sazonais, com 12 dos 15 locais pesquisados alcançando taxas positivas. O comportamento reflete, principalmente, o retorno à produção (mesmo que parcialmente) de unidades produtivas, após as interrupções geradas por efeito da pandemia de Covid-19.

Em Goiás, os dados apurados foram positivos, sobretudo devido à característica diferenciada da produção goiana, calcada principalmente na agroindústria. Segundo relatório da Fieg, além do bom resultado em maio, o Estado destacou-se nacionalmente na comparação com igual período do ano passado. Houve registro de crescimento de 1,5%, sendo Goiás o único Estado com resultado positivo nesta base de comparação.

“Para termos uma ideia da relevância deste resultado, o mais próximo é Mato Grosso, com uma queda de 3,4%, e o resultado mais acentuado foi registrado no Ceará, com retração de 50,8%. O dado nacional é de taxa negativa de 21,9%”, compara Cláudio Henrique.

Produtos alimentícios e metalurgia foram os segmentos que puxaram o resultado. Em maio, os produtos de maior influência para o setor alimentício foram açúcar vhp (destinado à exportação), açúcar cristal e óleo de soja refinado. Na metalurgia, os destaques ficaram com ferronióbio, ferroníquel e ouro.

“No ano, o comportamento da indústria goiana ainda é negativo em 0,3%. Porém, quando comparamos com resultados de outros Estados, Goiás é o terceiro melhor, atrás somente do Rio de Janeiro e Pará”, avalia ainda o economista da Fieg.