Menina de 8 anos, que teria sido baleada por PM, não resiste e morre nesta madrugada

Ágatha Félix foi atingida por um tiro de fuzil nas costas, na noite de sexta, quando estava em uma kombi que transportava passageiros ao lado da mãe

Foto: Reprodução

Morreu, na madrugada deste sábado, 21, a menina Ágatha Félix, de 8 anos, que foi atingida por um tiro de fuzil nas costas, na noite de sexta, 20, na Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Ela estava internada no Hospital estadual Getúlio Vargas e não resistiu aos ferimentos que, segundo a família, foram causados pela Polícia Militar.

Ao Extra, um parente da menina, que não quis se identificar, revelou que ela estava dentro de uma Kombi que transportava passageiros para dentro da comunidade com a mãe, quando o veículo foi baleado. Ainda foi informado que o policial tentava acertar um motociclista e errou.

Outros moradores afirmaram que o policial militar faz parte da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade.

“Quem tem que dar informações é quem deu o tiro nela. Matou uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê o policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. Não é a família do governador ou do prefeito ou dos policiais que estão chorando, é a minha. Amanhã eles vão pedir desculpas, mas isso não vai trazer minha neta de volta”, disse revoltado, o avô materno da criança, Ailton Félix.

Após saber da morte da filha, a mãe, identificada como Vanessa, passou mal e precisou ser amparada por familiares e amigos. Ela deixou o hospital de cadeira de rodas. Ainda não informações sobre o sepultamento.

Manifestação

Na manhã deste sábado, moradores e ativistas realizam uma manifestação pacífica pelas ruas do Complexo do Alemão.

“Esse protesto é pela morte de uma criança que foi alvejada por um policial despreparado que recebeu a ordem do governador para atirar. E atiraram pelas costas de uma criança que ia para sua casa. Estamos pedindo paz, não criamos nossos filhos para perdê-los numa guerra desproporcional dentro da comunidade. Um governo que entra falando de guerra. O governador hoje tem essa política de matar. O que ele está querendo para o Rio de Janeiro? Vamos resistir por nossos filhos”, disse um manifestante que não quis se identificar.

A hashtag #ACulpaÉDoWitzel se tornou um dos assuntos mais comentados do país no Twitter. Wilson Witzel (PSC), governador do Rio, chegou a dizer na sexta, 20, antes do ocorrido, durante inauguração da Operação Bangu Presente, na Zona Oeste, que quem usa fuzil contra o cidadão de bem “não merece viver”, defendendo o “abate” de criminosos. Ele foi muito criticado pelas redes sociais.

Nota da PM

“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, por volta das 22h desta sexta-feira, 20/09, equipes policiais da UPP Fazendinha, que estavam baseadas na esquina da Rua Antônio Austragésilo com a Rua Nossa Senhora, foram atacadas de várias localidades da comunidade de forma simultânea. Os policiais revidaram à agressão. Após o confronto, não foi encontrado feridos.

Na sequência, os policias foram informados por populares que um morador teria sido ferido na localidade conhecida como ‘Estofador’. Uma equipe da UPP se deslocou até o Hospital Getúlio Vargas e confirmou a entrada de uma criança de 8 anos ferida por disparo de arma de fogo. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) irá abrir um procedimento apuratório para verificar todas as circunstâncias”.

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