Após 32 dias sem chuva, Rio Meia Ponte entra em nível de alerta; abastecimento em Goiânia segue normal
20 julho 2026 às 15h30

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*Em colaboração Tiago Vechi
Em mais de 32 dias sem chuvas, o Rio Meia Ponte, no ponto de captação de Goiânia, entra em “Nível de Alerta” para criticidade híbrida. A medida foi adotada após a média da vazão registrada nos últimos sete dias atingir 8.917,49 litros por segundo, patamar previsto na regulamentação estadual para o início de ações de gestão dos recursos hídricos. O alerta foi emitido pela Secretaria de de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad).
Ao Jornal Opção, André Amorim, gerente do Centro de Informações Hidrológicas, Meteorológicas e Geológicas de Goiás (Cimehgo), disse, nesta segunda-feira, 20, que a queda no volume da água, apesar de preocupante, está dentro do esperado. “Inclusive, o nível de hoje está similar ao que ocorreu no ano passado”, afirmou.
Segundo ele, ao menos nos próximos de 15 dias, não há previsão de chuvas. “Nós estamos no período de estiagem, e é normal que o Rio [Meia Ponte] caia de nível. Hoje [segunda-feira, 20] ele está com sete mil e poucos litros por segundo, abaixo de nove mil, que é o nível de alerta. Infelizmente, quando não tem chuva, acaba caindo mesmo. É normal para o período. Esses níveis de criticidade são estipulados pelo Comitês de Bacia Hidrográfica [CBH] junto com a Semad. Nós temos até um dashboard onde colocamos os valores para acompanhamento diário”, apontou.
O enquadramento em nível de alerta indica a necessidade de monitoramento mais rigoroso das condições do rio e da adoção de medidas voltadas à preservação da disponibilidade de água. A classificação é baseada nos critérios estabelecidos pelo Estado para períodos de redução da vazão do manancial, o nível ainda é de alerte, a próxima etapa é o nível crítico. “O que acontece é que não é só o Rio Meia Ponte que cai de nível. O Araguaia cai, todos eles caem. Consequentemente, todos pela falta de chuva”, explicou
“As orientações são as que foram colocadas nos documentos sobre os níveis de criticidade. Então, campanhas orientativas, acompanhamento, que nós já estamos fazendo. Fica mais nessa fase mesmo, em diálogo com as demais instituições”, apontou.
Sistema de abstecimento
Ao Jornal Opção, a Companhia Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) disse que os sistemas de abastecimento de água de todos os 223 municípios atendidos pela empresa estão operando com qualidade e regularidade. A Companhia explicou que a vazão atual do Rio Meia Ponte é suficiente para manter o abastecimento de Goiânia dentro da normalidade, atendendo plenamente a demanda da população.
Segundo a nota, Goiânia conta com três sistemas produtores que utilizam dois mananciais, o Meia Ponte com captação superficial e o Mauro Borges/João Leite com água represada. Atualmente, 64% da Capital é abastecida pelo Ribeirão João Leite e 36% pelo Rio Meia Ponte.
A Estação de Tratamento de Água Meia Ponte tem capacidade de tratamento de 2.000 litros por segundo, o que garante que a vazão atual do Rio seja suficiente para manter o sistema em operação. Já a Estação Mauro Borges e a Estação Jaime Câmara possuem vazão de tratamento de 4.000 litros por segundo e 2.000 litros por segundo, respectivamente. O volume atual de água acumulada na barragem do Ribeirão João Leite está em 94%.
A empresa também explicou que para uma maior segurança hídrica e estabilidade no abastecimento dos goianienses, os sistemas estão interligados por meio de uma adutora de integração. Essa adutora reforça o Sistema Meia Ponte com até 800 litros por segundo, permitindo que a água reservada do João Leite seja utilizada também em bairros atendidos pelo Meia Ponte caso o manancial registre diminuição na vazão.
A Companhia destacou que, mesmo com a normalidade no abastecimento, a estiagem demanda cautela e é fundamental que a população faça sua parte por meio do consumo consciente da água. As dicas de economia estão disponíveis no site da empresa. A Saneago também informou que atua no combate ao desperdício e reduziu o índice de perdas de água na distribuição.
Pelo Novo Marco Legal do Saneamento, as companhias têm até 2033 para alcançar 25% de perdas, mas a Saneago já atingiu 22%, superando a meta com uma década de antecedência. De acordo com o Estudo de Perdas de Água 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, Goiânia aparece pelo quinto ano consecutivo como a capital com menor índice de perdas na distribuição, com apenas 11%.
A Saneago esclareceu que é apenas uma das usuárias das bacias e responsável pelo abastecimento público nos municípios onde opera. Em relação a questionamentos sobre a situação dos rios, a Companhia orientou que sejam verificados junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, responsável pela gestão de recursos hídricos em Goiás.
Por fim, a empresa explicou que a Deliberação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Meia Ponte define os níveis de criticidade de acordo com a vazão do Rio Meia Ponte no ponto de captação da Saneago e as providências para cada nível.
Considerado crítico
A vazão de escoamento menor que 9.000 litros por segundo já é considerado nível de alerta, para ser considerado crítico é preciso que a redução chegue a 5.500 litros por segundo. Confira a tabela de níveis de criticidade em relação a vazão por segundo:

A vazão de 2026 está acima da média histórica, apesar de registrar indíces menoires que a vazão de 2025. Veja também como tem se comportado a vazão do Rio e as precipitações na região :

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