Compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount é suspensa pela Justiça; entenda
20 julho 2026 às 14h58

COMPARTILHAR
A Justiça dos Estados Unidos determinou a suspensão temporária da compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, uma operação avaliada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões). A decisão representa um novo obstáculo para a fusão, considerada uma das maiores da história da indústria do entretenimento.
A medida foi tomada após uma ação apresentada por uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia. Os autores do processo afirmam que a fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount pode reduzir a concorrência, elevar os preços para consumidores e concentrar ainda mais o mercado de mídia e streaming. As informações são divulgada pela Reuters.
Segundo a ação, caso a compra seja concluída antes do julgamento definitivo, a Paramount poderá iniciar demissões, compartilhar informações estratégicas com a Warner Bros. Discovery e implementar mudanças que seriam difíceis de reverter caso a Justiça decida posteriormente bloquear o negócio.
O processo foi protocolado em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e pode atrasar os planos da Paramount de ampliar sua presença no mercado global de entretenimento e disputar espaço com gigantes do streaming, como Netflix e Disney. Em resposta, a Paramount afirma que a ação interpreta de forma equivocada as leis antitruste dos Estados Unidos.
A empresa também sustenta que um adiamento da operação pode prejudicar trabalhadores da indústria do entretenimento, que já enfrenta dificuldades nos últimos anos. Desde que foi anunciada, em fevereiro, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount passou a enfrentar uma série de análises regulatórias e questionamentos judiciais em diferentes países.
Embora o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tenha aprovado a operação, autoridades internacionais continuam avaliando seus impactos sobre a concorrência. A Comissão Europeia adiou sua decisão para analisar as concessões apresentadas pela Paramount, enquanto o Reino Unido informou que poderá intervir no processo por preocupações relacionadas ao mercado de streaming, televisão e mídia.
Nos Estados Unidos, procuradores-gerais de estados como Califórnia, Nova York e Oregon lideram uma ofensiva para impedir a fusão. Eles argumentam que a união das empresas poderá reduzir a concorrência nos setores de cinema e TV por assinatura, aumentar a concentração de mercado e provocar cortes de empregos.
Além da resistência dos órgãos reguladores, o negócio também enfrenta críticas de atores, roteiristas, exibidores de cinema e outros profissionais do entretenimento, que temem redução na produção de filmes e novas demissões na indústria. A decisão desta segunda-feira, 20, que suspende temporariamente a conclusão da operação, representa o revés mais recente para a negociação bilionária.
A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount é considerada uma das maiores transações já realizadas no setor de entretenimento. Se aprovada, a fusão criará um conglomerado com cerca de 200 milhões de assinantes de streaming e um catálogo que reúne algumas das marcas mais valiosas da indústria, como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon.
A estratégia da Paramount é ganhar escala para competir com empresas como Netflix e Disney em um mercado cada vez mais dominado pelo streaming. Diferentemente de propostas anteriores apresentadas durante a disputa pela Warner Bros. Discovery, a oferta da Paramount contempla todo o grupo, incluindo canais de televisão por assinatura, a HBO e a CNN.
Caso a operação receba aprovação definitiva, a família Ellison, controladora da Paramount, também assumirá o comando de importantes marcas do jornalismo americano, entre elas a CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN.
Leia também:



