*Colaboração de Cilas Gontijo

A Copa do Mundo é uma das competições esportivas mais importantes do planeta, mobilizando torcedores de diferentes países para acompanhar as partidas, seja presencialmente nos estádios, em casa ou em bares e restaurantes.

Para os mais fanáticos, no entanto, a emoção de assistir aos jogos pode representar riscos à saúde devido ao estresse emocional intenso e aos excessos comportamentais associados às partidas. Uma pesquisa realizada em 2013 pela Universidade de São Paulo (USP) analisou internações por infarto em dias de jogos e apontou aumento entre 4% e 8% nos atendimentos relacionados a intercorrências cardiovasculares.

Conforme alerta o médico cardiologista Giuliano Seraphim, o estresse e a forte expectativa em torno das partidas fazem o organismo liberar substâncias como adrenalina e noradrenalina, conhecidas como catecolaminas. Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e provocam vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos), fatores que podem desencadear eventos graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmias.

Por isso, o especialista reforça a necessidade de cuidados redobrados entre pessoas com doenças cardiovasculares. “É muito importante ter uma avaliação médica adequada e que a pessoa tenha cautela nesses momentos de estresse intenso durante as partidas”, explicou em entrevista ao Jornal Opção.

Médico cardiologista Giuliano Seraphim | Foto: Divulgação

Além do impacto emocional, o cardiologista alerta para combinações potencialmente perigosas, como o consumo excessivo de álcool e o tabagismo associados ao estresse provocado pelos jogos. Segundo ele, esses fatores podem criar um ambiente favorável para complicações cardiovasculares.

“O álcool e o cigarro são sabidamente vilões para o sistema cardiovascular por causarem fenômenos diretamente relacionados às artérias e ao próprio funcionamento do coração. Isso pode provocar eventos, principalmente em pessoas mais suscetíveis”, afirma.

O especialista explica que o álcool atua como um potente estimulante cardíaco, enquanto o cigarro reduz o transporte de oxigênio pelo sangue e favorece a vasoconstrição.

Já para o público em geral, o médico ressalta a importância de diferenciar uma crise de ansiedade de um evento cardíaco real. Segundo ele, a ansiedade costuma ser passageira e tende a melhorar à medida que o estresse diminui.

Por outro lado, um evento cardíaco geralmente se manifesta por meio de uma dor torácica em forma de aperto ou peso, que persiste por mais de 15 a 20 minutos e pode irradiar para o pescoço, mandíbula, braços ou costas. Além disso, pode vir acompanhado de falta de ar, suor frio, náuseas ou desmaio. “Nesse caso, sugerimos o encaminhamento imediato a uma equipe médica ou a um serviço de pronto-socorro para avaliar se realmente há uma doença cardíaca em curso”, orienta.

Para acompanhar o campeonato de forma segura e saudável, o cardiologista recomenda moderação na torcida, evitando excessos de comida, álcool e tabaco. Ele também alerta para a importância de não interromper o uso de medicamentos de uso contínuo, especialmente aqueles destinados ao controle da pressão arterial e do diabetes.

Por fim, o especialista destaca que os jogos devem ser acompanhados de hábitos saudáveis, como boa hidratação, uma noite adequada de sono na véspera das partidas e pequenas caminhadas durante os intervalos.

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