Médica é demitida de maternidade de Goiânia após mensagem sobre pacientes petistas
08 outubro 2026 às 14h58

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A médica Marcella Segato foi demitida na terça-feira, 6, do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, após enviar uma mensagem orientando outros profissionais a não dar alta a pacientes por serem, segundo ela, “a maioria petista”. A informação sobre a demissão foi confirmada pelo hospital.
O caso foi revelado pelo Jornal Opção em reportagem publicada no sábado, 3 de outubro. O jornal teve acesso à conversa enviada na sexta-feira, 2, em um grupo que reunia médicos e estudantes de medicina que cumpriam estágio na unidade.
Antes da demissão, a profissional havia sido retirada da escala por tempo indeterminado, medida noticiada pelo Jornal Opção na segunda-feira, 5. A administração também anunciou procedimentos internos para apurar o episódio.
Pedido de desculpas após a demissão
Na quarta-feira, 7, um dia após a demissão, a assessoria de Marcella divulgou uma nota em que ela pediu desculpas às pacientes, familiares, colegas, internos e ao hospital.
“Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional”, afirmou.
Na manifestação, a médica negou que o conteúdo das mensagens tenha se traduzido em decisões sobre o atendimento. Segundo ela, nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada por causa de posicionamento político.
“Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos”, declarou.
Marcella também afirmou que as preferências eleitorais das pacientes não foram consideradas nas avaliações. “O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação”, disse.
A profissional destacou ainda que realiza partos desde 2017 e que, ao longo de sua trajetória, atendeu mulheres de diferentes origens e convicções.
Mensagens no grupo
Na conversa revelada pelo Jornal Opção, a obstetra compartilhou conteúdos críticos ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também afirmou que estudantes que votassem em Flávio Bolsonaro (PL) receberiam nota 10 no rodízio, período de atividades práticas realizado pelos médicos em formação.
Na sequência, escreveu: “Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista”.
Procurada pela reportagem na ocasião, Marcella afirmou que a mensagem era uma “brincadeira feita em um grupo privado”. Disse ainda que jamais atribuiria notas com base na escolha eleitoral de um estudante e ressaltou que o voto é secreto.
MPF e Cremego receberam denúncias
Após receber o conteúdo da conversa, o advogado Alan Henrique Marques encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF). No documento, sustentou que a mensagem poderia configurar abuso de poder e crime eleitoral, por supostamente utilizar a estrutura de um hospital público para intimidar ou interferir na locomoção de eleitores.
A representação apresenta a avaliação do advogado sobre o episódio. As informações divulgadas não demonstram que pacientes tenham efetivamente deixado de receber alta por orientação política.
O Jornal Opção também procurou o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). O órgão confirmou o recebimento da denúncia, mas, até a publicação da reportagem de quarta-feira, 7, não havia informado quais providências seriam adotadas.
Hospital rejeita discriminação
Em manifestação anterior, a maternidade afirmou que não adota posicionamento político-partidário e que decisões sobre internação, permanência hospitalar e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente.
A instituição declarou que as mensagens tinham caráter pessoal e não representavam a administração ou a entidade responsável pela gestão da unidade. Ao anunciar a apuração interna, informou que seriam assegurados o contraditório e a observância das normas institucionais e profissionais.
A direção lamentou o episódio, apresentou desculpas aos pacientes e colaboradores que se sentiram atingidos e afirmou que não compactua com discriminação.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou, na ocasião, que havia adotado medidas administrativas para apurar a conduta e reforçado às equipes a orientação de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
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