Mabel, Mendanha, Jânio e outras lideranças de Goiás aparecem em vídeo patrocinado por empresário que lucrou R$ 470 milhões com ivermectina

Em live, participantes deixam claro que o próprio José Alves incentivava o uso do chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19

 

Personalidades políticas e empresariais de Goiás participaram de live patrocinada pela Vitamedic Indústria Farmacêutica, cujo diretor-executivo, Jailton Batista, depôs na CPI da Covid nesta quarta-feira, 11. A empresa, que é instalada em Anápolis, é apontada por ter bancado a propaganda da associação Médicos Pela Vida em defesa do chamado “tratamento precoce”, comprovadamente ineficaz para o tratamento da Covid-19.

A live foi feita há um ano pelo Centro Universitário Alves Faria (Unialfa). – que assim como a Vitamedic pertencente ao Grupo José Alves. No vídeo, médicos discutem com lideranças de Goiás o uso do chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19.

Na live, os médicos defendem o uso de hidroxicloroquina e ivermectina e incentivam o tratamento contra o coronavírus com os medicamentos. Algumas lideranças, como o presidente da Acieg, Rubens Filleti, agradeceu ao José Alves por estar “encabeçando com bastante maestria” todo o evento de promoção dos medicamentos que até hoje não apresentou comprovação científica.

O vídeo, que foi usado pelos senadores que compõem a CPI da Covid, demonstra a empresa atuou junto a lideranças empresariais e políticas a fim de dar publicidade ao uso do chamado “kit Covid”, composto por medicamentos que não possuem eficácia contra a doença, porém foi defendido por alguns políticos, empresários, médicos e, principalmente, pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Durante a live, o ex-prefeito de Trindade, Jânio Darrot, afirmou que os medicamentos hidroxicloroquina e ivermectina foram a base para tratamento nos casos iniciais da cidade. “Há 30 dias atrás nós conseguimos que nossos médicos aderissem a esse protocolo”, afirma e ressalta a resistência que existia com o tratamento precoce. No final, ele termina agradecendo ao José Alves Filho, pelo evento e pelos “esclarecimentos”.

Na live, o Dr. Anthony Wong, aparece em alguns momentos para desmistificar o uso dos medicamentos. Em determinado momento, ele afirma que o próprio dono da Vitamedic, José Alves, pode enviar 61 trabalhos internacionais que supostamente comprovariam a eficácia do uso da hidroxicloroquina e da ivermectina. “Fala que José Alves pode passar para ele também sobre os resultados da hidroxocloroquina”, afirma

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, se mostrou muito desconfiado do tratamento, mesmo com as falas dos médicos e disse que o próprio José Alves Filho ligava para ele para falar dos medicamentos. “Vai depender muito do profissional médico para usar ou não. Não estou muito tranquilo em utilizar a cloroquina”, disse.

Já o presidente da Fieg, Sandro Mabel, afirmou que recebeu uma carta de um procurador da República no dia 26 de maio em que ele recebia a recomendação do uso do tratamento precoce em Aparecida e em outras 160 cidades.

“Não existe nenhum efeito colateral que não possa ser controlado, é tranquilo. Ministério Público recomenda que a cidade de Aparecida use como as outras 160 cidades. Acho que com isso aí você já tira o problema do risco de ser questionado amanhã”, declarou.

O então secretário de Saúde de Anápolis, Lucas de Amorim, afirmou que eles já usavam corticoide nos pacientes, e usavam os medicamentos hidroxicloroquina e ivermectina nos casos moderados. Ele também falou da dificuldade que estava encontrando do profissional médico em aceitar o tratamento precoce.

Rubens Filleti, presidente da Acieg agradeceu ao José Alves por estar “encabeçando com bastante maestria” todo o evento sobre o tratamento precoce. Herculano Anghinetti, presidente Adial disse que “só não erra quem não tenta e a gente tem que tentar” e que a mídia explorou o uso de cloroquina e ivermectina de forma “muito negativa”. O então secretário de Desenvolvimento Econômico de Goiânia, Walison Moreira, alegou que “precisamos salvar vidas, se é com isolamento social, se é com algum outro tipo de tratamento nós precisamos ficar atentos e tomar medidas rapidamente”.

CPI
Na CPI, Jailton Batista reconheceu que a empresa não realizou estudos para verificar a eficácia da ivermectina para tratar uma doença. O medicamento é considerado carro-chefe do laboratório, que multiplicou a venda durante uma pandemia do novo coronavírus.

Em seu depoimento, o diretor-executivo confirmou que a empresa faturou R$ 15,7 milhões em 2019, quantia que passou para R$ 470 milhões no ano passado. Segundo informações enviadas à comissão, as vendas de ivermectina pela Vitamedic saltaram de 24,6 milhões de comprimidos em 2019 para 297,5 milhões em 2020 – um crescimento superior a 1.105%. O preço médio da caixa com 500 comprimidos subiu de R$ 73,87 para R$ 240,90 – um incremento de 226%.

Mesmo sem comprovada para o tratamento da Covid-19, a ivermectina integrou o chamado “kit Covid” e muitos negacionistas passaram a indicar o vermífugo para tratar uma doença.

 

Abaixo confira toda a live e trecho com as falas de Jânio Darrot, Gustavo Mendanha e Sandro Mabel

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.