Após mais de seis meses, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou à Casa Branca nesta quinta-feira, 7, sendo recebido pelo presidente norte-americano Donald Trump. Ambos estavam sem contato presencial desde o encontro na cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur, na Malásia, no fim do ano passado.

A reunião acontece após um período de forte tensão diplomática entre os dois países, marcado por tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, críticas públicas de Trump ao governo brasileiro e divergências em temas internacionais. Ainda assim, autoridades dos dois lados avaliam que a relação entrou em uma fase de “turbulência controlada”, diante da necessidade de cooperação econômica e estratégica entre as duas maiores democracias do continente.

No total, cinco ministros acompanham o presidente, sendo: Mauro Vieira, de Relações Exteriores; Dario Durigan, da Fazenda; Márcio Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública.

Além dos representantes, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, acompanha Lula para discutir mecanismos conjuntos de combate ao crime organizado internacional e ao tráfico de drogas. Segundo analistas ouvidos pelo The New York Times, a possibilidade de os EUA classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas também deve entrar nas conversas, tema que gera preocupação em Brasília sobre eventual interferência norte-americana em assuntos internos do país.

A coletiva entre os dois, prevista para acontecer no Salão Oval, deve ocorrer em instantes e durar cerca de 30 minutos. Em seguida, está previsto um almoço entre os dirigentes, que deve dar continuidade às negociações bilaterais.

Os três assuntos centrais da reunião devem ser: a defesa do Pix como método legítimo de pagamentos, a exploração e comercialização de terras-raras e minerais críticos e o combate ao tráfico internacional de drogas.

Na pauta econômica, os Estados Unidos pressionam o Brasil para ampliar acordos envolvendo minerais estratégicos utilizados em baterias, semicondutores e equipamentos militares. O governo Lula, no entanto, busca preservar a soberania brasileira sobre os recursos naturais e evitar compromissos exclusivos com Washington, mantendo espaço para negociações também com a China.

A reunião também ocorre em meio aos reflexos políticos da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. O republicano já classificou o processo contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e chegou a usar tarifas comerciais como forma de pressão sobre o Brasil. Lula respondeu às medidas afirmando que o país não aceitaria ataques à soberania nacional.

Veja o momento em que Lula é recebido pelo estatal norte-americano:

Fonte: Redes sociais

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