Lula é indiciado por suposto esquema de propina em contratos em Angola

Investigações apontaram que ex-presidente usou sua influência para viabilizar contratos do sobrinho de sua ex-mulher, Taiguara Rodrigues, com a Odebrecht

Lula já foi indiciado no mesmo caso pela Polícia Federal | Foto: Ricardo Stuckert

Sobrinho da ex-mulher de Lula teria recebido propina de R$ 20 milhões em contratos fictícios com a Odebrecht | Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi indiciado pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (5/10) pelo crime de corrupção em suposto beneficiamento de Taiguara Rodrigues, sobrinho de sua ex-mulher, em contratos em Angola. Taiguara, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros seis executivos da empresa também foram citados, inclusive pelo crime de lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, Lula teria pago propina de R$ 20 milhões ao sobrinho utilizando contratos da Odebrecht. A empresa de Taiguara, a Exergia, só teria conseguido firmá-los, aponta o indiciamento, pelo parentesco dele com o ex-presidente: de acordo com os investigadores, Lula era citado em vários documentos da negociação.

No total, a Exergia firmou 17 contratos com a Odebrecht, todos eles, para os investigadores, consagrados apenas para que Taiguara recebesse propina, sem prestar os serviços neles previstos. Um documento da própria Odebrecht inclusive qualificaria a contratação como “imprestável”.

Taiguara teria sido beneficiado principalmente em um contrato de ampliação e modernização da hidrelétrica Cambambe, em Angola. O contrato de prestação de serviços da sua empresa para a Odebrecht somava R$ 3,5 milhões. A acusação é de que esta obra, financiada com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), só foi feita pela empreiteira por intermédio de Lula.

Os investigadores acreditam que parte do dinheiro ficou com o ex-presidente, que teria beneficiado Taiguara para receber recursos do Bndes. Registros de mensagens trocadas por Taiguara com um segurança de Lula indicariam que ele pode até mesmo ter atuado para propiciar a abertura da Exergia especificamente para conseguir as obras em Angola.

Este relatório foi apresentado como conclusão da Operação Janus, deflagrada em maio, na qual Taiguara foi levado para depor coercitivamente pela PF. Ele também já havia sido convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Bndes.

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