Lúcio Flávio acusa gestão Enil de descontrole financeiro

Durante debate realizado nesta terça-feira (27/10), candidato oposicionista mostrou que atual administração não repassou recursos à Casag e ao Conselho Federal

Lúcio Flávio levou documentos mostrando que há inadimplência na gestão Enil | Fotos: reprodução / TV Metrópole

Lúcio Flávio levou documentos mostrando que há inadimplência na gestão Enil | Fotos: reprodução / TV Metrópole

Em novo debate promovido pela Rede Metrópole, o candidato oposicionista Lúcio Flávio de Paiva acusou o atual presidente, Enil Henrique, de descontrole financeiro por não ter realizado, ainda, repasses obrigatórios à Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag) e ao Conselho Federal de Advocacia.

Ao questionar Enil, ele apresentou documentos que comprovariam as dívidas da gestão. Segundo o estatuto, 20% do valor recebido da anuidade dos advogados deve ser repassado à Casag. No entanto, há inadimplência — que teria sido reportada ao próprio Conselho Federal.

“Com essa pergunta o senhor mostra que não tem conhecimento algum da Ordem. Nossa gestão faz os repasses em dia. Desde 1998, repasses não são concluídos no ano de exercício, podem ser feitos no ano seguinte. Não há desequilíbrio”, rebateu Enil.

Para ele, a crise econômica do Brasil “afetou os advogados” e a inadimplência chega, hoje, a 9 milhões de reais. “Isso afeta a administraçõa”, explicou. Lúcio Flávio respondeu dizendo que, apesar de sustentar que não há descontrole, tem um ofício assinado pelo próprio Enil “justificando” a situação de inadimplência ao conselho.

De acordo com as regras do debate, o candidato que não perguntasse, nem respondesse, teria direito a um “comentário” sobre a discussão dos outros dois. Assim, Flávio Buonaduce lembrou que a falta de repasses teria sido objeto de discussão dentro e fora da OAB-GO, tendo Enil sido, inclusive, solicitado pelo conselheiro estadual Dyogo Crosara a prestar esclarecimento.

Lúcio Flávio acabou “pegando” Enil em uma armadilha. Isso porque o atual presidente afirmou que iria quitar “todas as dívidas”. Sem titubear, o oposicionista emendou: “Bom que Enil reconhece que não há atrasos só na Casag, mas com o Conselho Federal e também com as subseções”.

Transparência

Candidato Flávio Buonaduce defendeu gestões da OAB Forte e a renovação | Foto: reprodução / TV Metrópole

Candidato Flávio Buonaduce defendeu gestões da OAB Forte e a renovação | Foto: reprodução / TV Metrópole

Outro tópico que serviu de embate entre Enil e Lúcio Flávio foi quanto à transparência de gestão. Tudo começou quando o atual presidente provocou o candidato da OAB Forte sobre o Portal da Transparência da OAB-GO. Em resposta, Buonaduce avaliou positivamente a ferramenta, mas com ressalva: “Está longe do ideal. Nós queremos avançar mais, aproximar ao máximo possível da Lei de Responsabilidade Fiscal. É um clamor da advocacia”.

Já o oposicionista não foi tão brando. Afirmou que Enil tenta passar a ideia de transparência, mas que o portal não pode nem sequer ser chamado de portal. “É no máximo uma janela, só há meia dúzia de planilhas”, desconstruiu ele.

Mais uma vez, Enil levou ao debate o tema “independência” — nome de sua chapa é OAB Independente, inclusive –, tentando sugerir ligações “políticas” dos outros dois candidatos. Contudo, Lúcio Flávio repetiu o discurso de Buonaduce no primeiro debate e afirmou que a Ordem não deve ser apartidária, mas, sim, “suprapartidária”.

“Não é problema ter posicionamento político, o advogado tem, a sociedade também tem. Não se pode confundir representação política com dependência. Nossa chapa tem compromisso por escrito que não aceitará nomeação em qualquer Poder”, completou o candidato Forte.

Militância e preparo

Durante o debate, Flávio Buonaduce destacou a forte atuação da gestão da OAB Forte na luta pela volta do horário integral de atendimento do Fórum, após um ex-presidente ter restringido o funcionamento do TJGO apenas ao período vespertino, e aproveitou para indagar Lúcio Flávio sobre sua participação no debate.

Ele tentou justificar que “pressionou” a gestão para tomar um “posicionamento” sobre o assunto, mesmo Flávio tendo reforçado que o desfecho positivo para a advocacia se deu fruto do trabalho da OAB Forte, e que a mudança era “um capricho, arbitrariedade” do ex-presidente do TJGO.

Surpreendentemente, o oposicionista reconheceu que a gestão “mandou bem” à época. “Em nenhum momento se diz que coisas boas não foram feitas. Foram sim. Há pessoas boas na OAB Forte. Mas, acreditamos que podemos mais”, sustentou.

Em seu comentário, Enil partiu para o ataque e criticou Lúcio Flávio, dizendo que ele só aparece “de três em três anos”, se colocando candidato, ou seguindo o líder do grupo, Leon Deniz. “Nunca participou de nenhum movimento dentro da OAB”, acusou o atual presidente.

Lúcio Flávio tentou, ainda, desmerecer o trabalho de Flávio Buonaduce à frente da Escola Superior da Advocacia (ESA), sugerindo que esta está “abandonada”, “não atende as subseções” e que os cursos são “caros e terceirizados”.

“A ESA de Goiás foi considerada pelo Conselho Federal a 3ª melhor do Brasil. Existem cursos e palestras no interior pelo menos duas vezes por semana. Há diversos gratuitos, porque a grande maioria não é cobrada. Basta verificar números, pois estes não mentem. Claro que precisamos avançar muito, reconheço. Por isso nos postulamos”, esclareceu o candidato.

Análise

No segundo debate, Lúcio Flávio manteve o tom agressivo, debateu mais e se mostrou menos “armado”. Contudo, o discurso do candidato oposicionista chega ao tom “romântico”, em especial quando conclama a “esperança” e expressões como “abandonar o velho” e “o tempo novo para a Ordem”.

Buonaduce evitou embates com os demais candidatos, esteve focado na apresentação de propostas e no resgate da história da OAB Forte à frente da seção de Goiás, exaltando a renovação de pessoas e ideias dentro de seu grupo. É honesto ao reconhecer falhas, mas firme ao se colocar como única alternativa segura.

O atual presidente não consegue acompanhar o ritmo dos outros dois candidatos. Gagueja, dá longas pausas e se expressa mal. Talvez por isso ainda não tenha apresentado proposta concreta para a advocacia.

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