Por que ninguém sabe a profundidade do Lago Azul de Niquelândia? Entenda
01 julho 2026 às 19h16

COMPARTILHAR
Escondido em uma propriedade rural de Niquelândia, no norte de Goiás, um lago de águas cristalinas desperta a curiosidade de moradores, turistas e mergulhadores. Conhecido como Lago Azul, o local ainda não teve sua profundidade determinada e é cercado por relatos sobre sua formação geológica e pelos riscos que impedem sua exploração.
Ao Jornal Opção, o secretário municipal de Turismo, Reneval Vaz, explica que o lago é, na verdade, uma dolina inundada, formação geológica originada pelo colapso do teto de uma caverna calcária.
“O nome científico dele é dolina. É uma caverna inundada. Há milhares de anos existia uma rocha calcária e, com o passar do tempo, a parte superior cedeu, formando esse lago”, afirma.
Segundo o secretário, diversas tentativas já foram feitas para medir a profundidade do local, mas nenhuma conseguiu determinar onde fica o fundo.
“Eu já medi até 710 metros, mas isso não quer dizer que chegamos ao fundo. Segundo os mergulhadores, o próprio peso da linha pode fazer com que ela dobre sobre si mesma, dando a impressão de que continua descendo”, explica.

Durante uma das tentativas, uma câmera utilizada para registrar a medição acabou sendo perdida.
“A pedra desceu muito rápido e, de repente, parou. Quando fomos recolher, a linha arrebentou por causa da pressão. Perdemos a câmera e a pedra”, relata.
Mapeamento dependeria de sonar
Para descobrir a profundidade real, Reneval afirma que seria necessário um levantamento com equipamentos específicos.
“Só com sonar. Seria preciso colocar um equipamento em um bote inflável e fazer um mapeamento em vários pontos, atravessando todo o lago para entender o relevo do fundo.”
Ele acrescenta que mergulhadores acreditam que a parte visível seja apenas uma pequena abertura de uma estrutura muito maior.
“Eles dizem que é como um funil de boca para baixo. A parte que enxergamos seria apenas a porção mais estreita.”
Água cristalina e vegetação preservada chamam atenção
Além do mistério sobre a profundidade, o secretário destaca outras características que tornam o Lago Azul singular. Segundo ele, apesar de estar cercado por lavouras mecanizadas de soja e milho, o entorno imediato permanece preservado.
“Em volta tem uma mata muito bonita, mas o mais curioso é que a superfície da água está sempre limpa. Você não vê folhas boiando. Parece até que alguém cuida dela o tempo inteiro.”
Acesso é proibido por questões de segurança
O lago fica em uma propriedade particular e não está aberto à visitação. De acordo com Reneval, o proprietário não autoriza a entrada de visitantes por receio de ser responsabilizado em caso de acidentes.
“Ele não autoriza porque, se acontecer alguma coisa, pode ser responsabilizado. Como não existe estrutura de apoio, o risco é muito grande.”
O secretário reforça que o lago apresenta perigo para qualquer pessoa que entre na água.
“Ali não existe aquela entrada gradual como em um rio. Você dá um passo e já não sabe onde está o fundo. É como cair dentro de uma cisterna”, explica.
Por isso, mesmo durante gravações realizadas pela Secretaria Municipal de Turismo, todos utilizam equipamentos de segurança.
“Os vídeos que fizemos dentro do lago foram com bote inflável e colete salva-vidas. Se alguém se afogar ali, o resgate é extremamente difícil.”
Potencial turístico esbarra na falta de estrutura
Embora reconheça o potencial turístico do Lago Azul, Reneval afirma que o local exigiria investimentos elevados e uma estrutura de segurança para receber visitantes.
“Seria um lugar ideal para atividades contemplativas, talvez uma tirolesa ou flutuação, mas a profundidade representa um desafio enorme”, afirma.
Segundo ele, como a área é privada, a prefeitura nunca iniciou estudos para transformar o espaço em atrativo turístico.
“A partir do momento em que a prefeitura assumisse a responsabilidade pelo local, teria que investir em uma estrutura muito cara e garantir toda a segurança”, diz.
Apesar da repercussão nas redes sociais, Reneval afirma que muitos moradores de Niquelândia sequer conhecem o Lago Azul.
“É comum encontrar pessoas da própria cidade que nunca foram lá e me pedem para levá-las.”
O acesso também dificulta a visitação. Há duas estradas que levam ao local: uma mais curta, com aproximadamente 42 quilômetros, porém em piores condições de tráfego, e outra de cerca de 60 quilômetros, considerada mais segura.
Mesmo assim, o secretário defende que qualquer visita deve ser feita com extrema cautela.
“É um lugar para contemplação. Não existe estrutura, não há controle de acesso e o risco é muito grande para quem tenta entrar na água”, conclui.
Leia também



