Laboratório recebia da prefeitura de Aparecida R$ 200 por exames que custavam R$ 20, diz delegado

A empresa Inac Medicina Laboratorial já recebeu R$ 1,5 milhão do poder público desde o ano passado. De acordo com a polícia, o laboratório tem uma sócia oculta que é a esposa do secretário da Fazenda de Aparecida de Goiânia, André Rosa

Delegado Alexandre Otaviano | Foto: Lívia Barbosa

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira, 10, o delegado Alexandre Otaviano deu detalhes sobre a Operação Falso Positivo, deflagrada na tarde de ontem e que apura desvios de dinheiro e superfaturamento na Saúde de Aparecida de Goiânia.

Alexandre explica que o laboratório Inac Medicina Laboratorial foi contratado pelo Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) para realizar exames. No entanto, o laboratório cobrava valores até 12 vezes mais caro que o valor de mercado. É o caso do exame para detecção do zika vírus, no SUS o exame custa R$20, já no laboratório Inac, era pago R$ 200.

Dentre o material apreendido, também foi encontrada uma nota fiscal de R$ 600 mil para a compra de máscaras no valor unitário de R$ 35, enquanto o valor de mercado é de aproximadamente R$20.

O laboratório Inac já recebeu R$ 1,5 milhão desde o ano passado. De acordo com a polícia, o laboratório tem uma sócia oculta que é a esposa do secretário da Fazenda do município, André Rosa. “Uma manobra foi feita para ocultar o nome da esposa do secretário”, afirma o delegado.

Coletiva Operação Falso Positivo| Foto: Lívia Barbosa

“O nome da esposa do secretário aparecia na empresa anterior que foi extinta. Foi então criada outra empresa com o mesmo nome e razão social, mesmo contador, só que sócios diferentes e outro CNPJ”, detalha Alexandre.

O Inac funciona dentro do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) e, no momento da operação, a mulher do secretário foi encontrada dentro do local gerenciado os trabalhos. No momento da operação o celular dela foi aprendido e será analisado. Segundo o delegado, não foi pedida a prisão da suposta envolvida por conta de as investigações estarem em fase inicial.

A empresa foi escolhida por meio de um chamamento público e processo seletivo e a investigação teve início após denúncia recebida pela polícia. Os envolvidos estão sendo investigados há dois meses e podem responder pelos crimes de peculato e associação criminal.

O delegado nega que a data e horário da operação tenham alguma relação com o período pré-eleitoral. “A decisão saiu no final da semana passada”, frisa o delegado Alexandre Otaviano. Ele diz que os mandados foram cumpridos no período da tarde porque houve uma mudança de endereço. “Tivemos que informar a mudança à juíza”, encerra.

O que diz o IBGH

O Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar-IBGH informou, por meio de nota, que colabora e sempre colaborará com a justiça. E que sempre as portas do IBGH estarão abertas à qualquer tempo, para qualquer demanda necessária.

“Informamos que o IBGH se encontra com uma nova equipe de gestão, desde fevereiro de 2020, e que nunca compactuou com superfaturamentos ou qualquer ilegalidade, e que todos contratos firmados com essa organização social, até o presente momento, se encontram no portal da transparência”, destacou o instituto.

Secretarias citadas

As secretarias da Fazenda e da Saúde de Aparecida de Goiânia também se manifestaram em nota e esclareceram que estão colaborando com as investigações. “A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia esclarece ainda que toda contratação de serviços para o Hospital Municipal de Aparecida é realizado pelo Instituto Brasileiro de Gestão Hospital (IBGH), que foi contratado por chamamento público”, diz.

Por fim, a pasta destaca que o contrato de gestão com o IBGH é fiscalizado conforme a legislação e que até agora não se identificou nenhum procedimento ilegal.

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