Isolamento social e dificuldade para hospitais atualizarem seus dados com a Fiocruz podem ser responsáveis por redução em internações por síndromes respiratórias, das quais se inclui o novo coronavírus

Equipe médica atende paciente com coronavírus | Foto: Stringer/AFP

Na última semana, que foi a 13ª semana epidemiológica do ano, entre 22 e 28 de março, as internações por insuficiência respiratória grave subiram em 7% no Brasil.

Os registros anteriores haviam sido consideravelmente maiores, tendo alcançado 163% na 11ª semana e 122% na 12ª semana. Nesse período, os casos confirmados saltaram de 965 para 5.624.

Embora o isolamento social, decretado em diversos estados, pode ter contribuído  para a queda, a Fiocruz também considera a possibilidade dos hospitais estarem com dificuldades para alimentar o sistema da fundação com dados atualizados, já que estão lotados e focados no combate ao coronavírus.

“Tal queda pode ser tanto reflexo de uma real desaceleração, fruto das medidas de distância social implementadas no território nacional, quanto do aumento no tempo para digitalização das fichas de notificação por sobrecarga das equipes dedicadas a isso em cada unidade de saúde ou vigilância municipal e estadual”, afirma Marcelo Ferreira da Costa Gomes, que coordena o InfoGripe, sistema da Fiocruz que tem monitorado os dados da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil.

De acordo com ele, a situação poderá ser melhor avaliada na próxima atualização do sistema, ao término da 14ª semana. Importante lembrar que nem todas as pessoas com insuficiência respiratória são pacientes infectados pelo novo coronavírus. Outras patologias, como influenza, adenovírus e os outros quatro coronavírus sazonais já estavam em circulação antes.

No entanto, a explosão dos últimos casos foram, de fato, causados pela Covid-19. Até porque houve uma mudança na faixa etária dos pacientes. Se  nos anos anteriores, as crianças até dois anos eram a maioria dos internados, agora, são idosos acima de 60 anos. “Tal assinatura é compatível com o que vem sendo observado para os casos de COVID-19 no mundo”, diz Gomes.

De acordo com a Folha de São Paulo, que uniu todas essas informações, dos pacientes internados com problemas respiratórios na 13a semana, 1.177 tinham mais de 60 anos e só 298 eram crianças. Em 2019, no mesmo período, 554 crianças estavam internadas, contra apenas 93 idosos.