Iris diz que atropelou Câmara com decreto do Uber por “urgência” do tema

Prefeito assinou texto que regulamenta aplicativos de transporte em Goiânia sem consultar Legislativo 

Iris conversa com o presidente da Câmara, Andrey Azeredo: os apelos do vereador foram ignorados pelo decano | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), deu uma explicação no mínimo curiosa aos questionamentos feitos por jornalistas sobre o compromisso que havia feito com os vereadores de não regulamentar os aplicativos de transporte individual, como a Uber, por meio de decreto.

Mesmo após dez meses de gestão, o decano peemedebista explicou que atropelou o Legislativo na controversa discussão dada a “urgência” do tema e porque outros prefeitos, como Fernando Haddad (PT), de São Paulo, também fizeram a regularização sem mandar projeto de lei para a Câmara.

Durante solenidade no Paço Municipal nesta sexta-feira (6/10), Iris assinou o texto, que dá para prazo de 30 dias para as empresas se cadastrarem junto à gestão e estabelece regras, bem como o valor a ser pago pelos aplicativos por quilômetro rodado.

“Estou certo que tanto os taxistas quando os operadores do Uber estavam aguardando uma posição da administração para que possam trabalhar em paz, com segurança, na certeza que estão servindo a população como merece”, explicou.

Segundo o decano peemedebista, o decreto surgiu de um rigoroso estudo feito pela Procuradoria-Geral do Município, secretarias afins e com base nas legislações de outras cidades.

“Quando eu, sentindo urgência por parte dos transportadores, constatando que quatro ou cinco cidades utilizaram o decreto, aí nós entendemos que assinar o decreto e aperfeiçoa-lo no futuro querendo o Poder Legislativo Municipal participar. A questão exigia urgência, buscamos nos decretos no Brasil afora”, justificou.

Compromisso

A decisão vem três meses após Iris ter garantido, durante entrevista à imprensa, que iria encaminhar um projeto de lei à Câmara Municipal para tratar sobre o tema. Inclusive, havia se comprometido com o presidente do Legislativo, vereador Andrey Azeredo (PMDB), que a decisão não seria monocrática.

“Designamos uma comissão para estudar o caso, porque foi feita uma solicitação do presidente da Câmara que em vez de decreto, fosse projeto, eu achei importante, é uma questão que deve ser discutida, porque fala da segurança da população”, afirmou o prefeito no dia 4 de julho.

 

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