O inverno começou oficialmente no último sábado, 21, mas os efeitos da nova estação já podem ser sentidos em Goiás. Madrugadas mais frias, tardes quentes, céu sem nuvens e a ausência quase completa de chuvas passam a dominar a paisagem do estado pelos próximos três meses. Neste ano, porém, meteorologistas chamam atenção para um cenário que vai além do tradicional “tempo seco”: a previsão indica temperaturas acima da média histórica, umidade relativa do ar em níveis críticos e aumento do risco de queimadas. 

A estação segue até 22 de setembro e é considerada a mais seca do calendário climático goiano. É também o período em que os reservatórios começam a perder volume, os rios registram redução das vazões e os hospitais observam aumento na procura por atendimento relacionado a doenças respiratórias.

Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), o inverno de 2026 deverá manter o padrão de escassez de chuvas, mas com um agravante: as temperaturas máximas tendem a ficar acima da média durante julho, agosto e setembro. 

Calor deve superar médias históricas

Embora o inverno seja associado ao frio, em Goiás ele costuma ser marcado por extremos. Enquanto as manhãs registram temperaturas amenas, as tardes podem alcançar marcas típicas do verão.

A previsão do Cimehgo aponta que a permanência de massas de ar seco e quente sobre o Centro-Oeste favorecerá máximas elevadas ao longo da estação. Isso significa que cidades goianas poderão registrar temperaturas superiores a 35°C mesmo durante o inverno. 

O resultado é uma forte amplitude térmica. Em municípios do Sudeste goiano, por exemplo, os termômetros podem marcar pouco mais de 10°C ao amanhecer e ultrapassar os 30°C poucas horas depois. 

Umidade pode atingir níveis críticos

Se o calor preocupa, a baixa umidade do ar é considerada um dos principais desafios da estação.

O Cimehgo projeta que os índices poderão atingir apenas 10% durante algumas tardes mais secas do trimestre. Para efeito de comparação, a Organização Mundial da Saúde considera adequado um percentual acima de 50%.

Na prática, isso significa um aumento significativo dos problemas respiratórios. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas costumam ser os mais afetados.

Os sintomas mais frequentes incluem irritação nos olhos, ressecamento da pele, dores de cabeça, sangramentos nasais e agravamento de quadros de rinite, sinusite e asma.

Fumaça e névoa seca devem voltar ao horizonte

Outro fenômeno típico do inverno goiano é a névoa seca, que costuma deixar o horizonte acinzentado e reduzir a visibilidade em diversas regiões.

Diferentemente da neblina, formada por gotículas de água, a névoa seca é composta por partículas de poeira, fumaça e poluentes suspensos na atmosfera. A situação se agrava especialmente durante os meses de agosto e setembro, quando aumenta o número de queimadas. 

Além de comprometer a visibilidade, o fenômeno está associado à piora da qualidade do ar e ao aumento dos atendimentos médicos por problemas respiratórios.

Temporada de queimadas começa a ganhar força

A combinação entre vegetação ressecada, ausência de chuvas e baixa umidade transforma o inverno no período mais crítico para incêndios florestais em Goiás.

Dados do Cimehgo apontam que a tendência para os próximos meses é de aumento das ocorrências de queimadas em diversas regiões do estado. 

Além dos prejuízos ambientais, os incêndios afetam a saúde da população, provocam perda de biodiversidade, colocam propriedades rurais em risco e podem comprometer rodovias devido à fumaça.

Especialistas lembram que a maioria dos incêndios registrados no estado tem origem em ações humanas, seja por queimadas ilegais, descarte inadequado de resíduos ou uso do fogo para limpeza de terrenos. 

Rios já apresentam sinais da estiagem

Os efeitos da estação seca também começam a aparecer nos recursos hídricos.

Monitoramento do Cimehgo mostra tendência de redução dos níveis em importantes rios goianos, como o Meia Ponte e o Araguaia. A expectativa é que a diminuição das vazões se intensifique ao longo do inverno, acompanhando a ausência de chuvas. 

A redução dos volumes afeta diretamente o abastecimento urbano, a irrigação agrícola e a disponibilidade hídrica para diferentes atividades econômicas.

El Niño exige atenção

O cenário climático deste ano também é influenciado pela presença do fenômeno El Niño, que, segundo o Cimehgo, reforça os sinais de atenção para uma estiagem prolongada e para a ocorrência de períodos de calor mais intenso. 

A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e chuvas escassas exige monitoramento constante por parte dos órgãos ambientais e de defesa civil.

O que esperar dos próximos meses

Os meteorologistas resumem o inverno de 2026 em Goiás em cinco palavras: seca, calor, fumaça, queimadas e baixa umidade.

Até setembro, a tendência é de:

  • chuvas escassas;
  • tardes mais quentes do que a média histórica;
  • umidade podendo atingir apenas 10%;
  • aumento dos focos de incêndio;
  • piora da qualidade do ar;
  • redução dos níveis dos rios e reservatórios;
  • crescimento dos problemas respiratórios. 

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