Imprensa internacional repercute admissão de processo de impeachment

Principais jornais do mundo destacaram crise política e econômica no Brasil e apontaram motivação pessoal para atitude do presidente da Câmara

"Eduardo Cunha não agiu em nome dos cidadãos descontentes, mas por vingança pessoal", destaca o francês Le Monde | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

“Eduardo Cunha não agiu em nome dos cidadãos descontentes, mas por vingança pessoal”, destaca o francês Le Monde | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Os principais jornais do mundo repercutem, desde quarta-feira (3/12), a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de aceitar processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Veículos destacaram crise no Brasil e apontaram admissão do pedido como sendo uma manobra de Cunha feita por vingança pessoal.

Forbes

A revista financeira Forbes, dos Estados Unidos, chamou o impeachment de “má ideia” e disse que depor Dilma “não vai resolver o problema dos brasileiros”. Um artigo assinado pelo colaborador Kenneth Rapoza destaca a situação caótica do país, com denúncias de corrupção da Petrobras e manifestações populares contra a presidente, mas diz que não convém tirá-la do poder principalmente por um motivo específico: Michel Temer.

“Temer é um advogado constitucionalista de São Paulo e presidente do PMDB. O PMDB é um dos maiores partidos no Brasil, mas não é conhecido pelas suas habilidades de liderança. A força deles vem da sua dimensão, nada mais”, diz o articulista. Ele destacou ainda que 54 políticos do partido estão sendo investigados na Lava Jato, incluindo os presidentes da Câmara, Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.

Ele também elogia o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e alerta para a reação que o PT terá. “O PT não é conhecido por ser razoável quando empurrado contra a parede. Haverá um impasse no país pelos próximos três anos. Sindicados podem reagir atacando aqui e ali. Eles já fazem isso. Mas farão mais, com ordens do PT”, destaca.

Por fim, Rapoza lembra que até mesmo a “maior estrela” do PSDB, que arquitetou o pedido de impeachment, se posicionou contra o processo. “Fernando Henrique Cardoso concorda. Ele disse à Reuters, na segunda-feira, que ‘ninguém deveria querer impeachment'”, finaliza.

The New York Times

Mais contido, o The New York Times avaliou que a decisão de Cunha “abre uma nova fase de incerteza no Brasil”. “Os adversários dela [Dilma] a estão pressionando em um canto enquanto a economia está com empregos ‘hemorrágicos’ e  poderosos aliados estão presos por acusações de corrupção”, diz texto de Simon Romero.

O jornal destaca fala do sociólogo Brasílio Sallum, da Universidade de São Paulo, para quem “No momento, o governo tem os votos que precisa no Congresso para impedir que o impeachment se materialize”. Ele ressaltou, no entanto, que “a situação política é tão volátil que as coisas podem mudar facilmente em poucas semanas”.

O New York Times também fez questão de dar um panorama da situação política de Cunha e falou sobre as acusações de que a decisão dele teve orientação pessoal. “Os oponentes de Cunha alegam que ele aceitou o pedido de impeachment como uma forma de retaliação contra Rousseff”, pontua o jornal.

Dilma, destacaram eles, reagiu aparecendo em rede nacional e se comparando a Cunha, “enfatizando que ela não tem contas não-declaradas em outros países e não foi acusada de enriquecimento ilícito”. Eles ainda lembraram que ainda não há qualquer comprovação de que a petista foi pessoalmente beneficiada pelo esquema de corrupção na Petrobras.

El País

A reação de Dilma também foi destaque no espanhol El País. “Rousseff pediu ‘tranquilidade e confiança nas instituições’ e acrescentou que está convencida que o processo será arquivado”, sublinharam eles.

O jornal também falou sobre a possível motivação pessoal do presidente da Câmara. “‘Não o faço por motivação política’, assegurou Eduardo Cunha. No entanto, horas antes, o todo-poderoso da Câmara havia recebido um golpe do partido no Governo”, diz o texto, lembrando decisão dos petistas de apoiar o prosseguimento de processo contra Cunha.

Le Monde

O francês Le Monde também disse que Cunha agiu por interesses pessoais e destacou a situação delicada que ele próprio vive. “Eduardo Cunha não agiu em nome dos cidadãos descontentes, mas por vingança pessoal”, diz notícia assinada pela correspondente Claire Gatinois.

O jornal destacou que ele está envolvido no escândalo da Petrobras e enfrenta problemas depois que o Ministério Público da Suíça descobriu milhões de dólares em contas com seu nome. Eles ainda trouxeram fala do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, que disse que o atual presidente da Casa “se equivocou” e que “não há motivo jurídico” para depor Dilma Rousseff.

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Virgínia Pereira

O impeachment de Dilma é uma ÓTIMA ideia! O pedido de impeachment não é uma questão de interesse pessoal do Cunha. É o desejo de milhões de pessoas que saíram às ruas neste ano em três mega manifestações contra o governo e é o desejo da maioria da população brasileira, como mostram as pesquisas de opinião. Não foi o Cunha que fez o pedido. Foram Miguel Reale Jr., Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. E o Brasil honesto e trabalhador o apoia com todas as suas forças!!!! E vamos novamente às ruas!!!!!