Homofobia: Jovem baiana é agredida por ter “cara de sapatão”

Lara Luccas, de 19 anos, foi atingida por socos e pontapés. Relato da moça foi publicado hoje pelo jornal Extra

A homofobia pode ter sido a causa de mais um registro de violência gratuita no Brasil. A vítima, dessa vez, foi de uma jovem baiana, de 19 anos. O relato da moça foi publicado nesta terça-feira (14/10) no jornal Extra.

Ela afirma ter sido agredida na noite da última quarta-feira (8) quando aguardava por um ônibus. Conforme narra publicação, o agressor, que não foi identificado, teria seguido a moça momentos antes de iniciar a agressão com ameaças e ofensas de cunho homofóbico.

“Ele veio assediando, com um tom de ameaça de estupro, que ia ‘me arregaçar inteira’, mas até aí achei que era só misoginia. Então ele me chamou de sapata nojenta e disse que eu ia apanhar muito por causa dessa ‘cara asquerosa de sapatão’.” Após as ameaças, a vítima conta que foi atingida por socos e pontapés, além de ter a cabeça batida contra o chão.

Nas redes sociais, a jovem compartilhou a foto em que aparece com as marcas da agressão ao lado de um desabafo. Para ela, a violência que sofreu não foi motivada exclusivamente por homofobia, mas também por ser mulher.

“Muitas mulheres precisam e são igualmente ignoradas em detrimento dessa ‘política’ de não se meter em briga de marido e mulher. Não ignorem sinal nenhum de mulher nenhuma. Nem os involuntários. Pergunte mesmo que ela talvez não te responda. Deixe ela saber que ela é vista e pode ser ajudada. Não dê benefício da dúvida a agressor”, publicou em sua conta no Facebook.

Estatísticas

Um levantamento realizado pelo Grupo Gay Bahia aponta que a homofobia provocou em 2014, até o dia 21 de setembro, ao menos 216 assassinatos. No ano anterior, foram registrados 312 casos, o que corresponde a uma morte a cada 28 horas.

Conforme os dados, a região com mais registros é o Nordeste, com 43%. Os homossexuais masculinos são os mais atingidos (59%), seguidos por travestis (35%) e lésbicas (4%).

Os dados obtidos pelo Grupo Gay Bahia são baseados em registros policiais e notícias, dada a ausência de informações oficiais sobre a prática que, apesar de vitimar centenas de brasileiros e brasileiras por ano, não é considerada crime no país.

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