Greve dos caminhoneiros afeta Goiás: no Ceasa, preços aumentam e podem faltar produtos

Quilo do tomate teve alta de mais de 100% em dois dias. Gerente de mercado da Central teme que crise prejudique abastecimento no Estado

Foto: Reprodução/Site Ceasa-GO

Ceasa já sente impacto da greve dos caminhoneiros | Foto: Reprodução/Site Ceasa-GO

Em entrevista ao Jornal Opção Online, o gerente de mercado da Central de Abastecimento do Estado de Goiás (Ceasa-GO), Josué Lopes, afirmou que já podem ser percebidos os efeitos da greve dos caminhoneiros nos preços dos produtos. Na terça-feira (24/2), o preço do quilo do tomate variava entre R$ 40 e R$ 50; hoje, já estava entre R$ 70 e R$ 90.

A comercialização do fruto nesta quinta (26) só foi possível devido a alguns caminhoneiros que furaram o bloqueio e conseguiram entregar sua carga, pois, de acordo com o gerente, na última quarta (25) já não havia tomate no depósito da Central.

Metade do que é comercializado na Ceasa vem de fora, portanto não há como a Central não ser comprometida pela falta de abastecimento. Josué tenta amenizar a situação: “apesar [do preço] ter sido afetado, ainda está melhor do que poderia estar”.

Porém, caso a greve continue, ficará ainda mais perceptível o impacto nos bolsos e nas mesas dos goianos. “Ainda temos produtos em estoque, mas, se continuar o bloqueio e a falta de distribuição, é preço alto na certa”, disse o gerente da Central de Abastecimento. “Se [o produto] ficar preso é prejuízo total, do produtor ao consumidor”, finalizou.

Nos primeiros meses do ano é comum que haja alta nos preços, pois há uma diminuição na produção de hortifrutigranjeiros em Goiás devido a questões climáticas e se faz necessário importar esses produtos de outros estados. O tomate, por exemplo, vem de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina.

Greve

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Caminhoneiros autônomos bloqueiam várias rodovias do país, desde a semana passada, em protesto pelo aumento do preço dos combustíveis e pelo reajuste no valor do frete. Na última quarta-feira (25), no Estado de Goiás, foi interrompido o tráfego em trechos da BR-153 nos municípios de Aparecida de Goiânia, Itumbiara e Porangatu.

Também na quarta-feira, após reunião no Ministério dos Transportes, governo e categoria chegaram a um acordo que prevê a prorrogação por 12 meses do pagamento de caminhões e a criação de uma tabela referencial de frete, bem como a manutenção dos valores do diesel pelos próximos seis meses.

Mesmo com o acordo firmado, a categoria manteve diversos pontos de rodovias federais parcialmente ou totalmente bloqueados na manhã desta quinta-feira.

1
Deixe um comentário

1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors
Gilvan

Eu nao sei se me solidarizo com essa manifestação mais que legítima ou se penso nas consequências provenientes dela, fato é que essa classe de trabalhadores castigados, massacrados explorados e agora financeiramente estrangulados agonizam! e esse governo (desgoverno) que aí esta sem direção sem projeto, sem capacidade de governar, politicamente desfragmentado não pode continuar, se um dos caminhos for este então que seja, teremos que quebrar ovos; ao contrario não teremos omelete.