O agora ex-presidente da instituição tinha acessos de fúria e usava termos de baixo calão em reuniões com subordinados

Após funcionárias da Caixa Econômica Federal denunciarem o ex-presidente do banco Pedro Guimarães por assédio sexual, a coluna de Rodrigo Rangel, do Metrópoles, divulgou nesta quinta-feira, 30, relatos de assédio moral por parte do ex-chefe da instituição. Os testemunhos incluem situações em que Guimarães, a partir do cargo de presidente da Caixa, submeteu subordinados a constrangimentos diversos.

Ao longo da apuração, a coluna falou ainda com outros empregados da Caixa e reuniu elementos que corroboram os relatos. “Tivemos acesso, também com exclusividade, a registros em áudio que dão a dimensão dos arroubos, que ocorriam inclusive em reuniões de diretoria”, afirma o colunista.

Guimarães, que deixou o cargo nesta quarta-feira, 28, em razão das denúncias, detestava ser contrariado. Com frequência, ele elevava a voz e usava palavreado grosseiro e até chulo para reagir a decisões tomadas pelos subordinados que o desagradavam.

No fim de 2021, por exemplo, relata a matéria, “Guimarães estrilou com executivos da Caixa em razão de uma decisão que havia sido tomada pelo conselho do banco sem que ele tivesse sido informado”. O conselho tinha aprovado uma mudança nas normas internas que limitava as nomeações de Guimarães para conselhos da Caixa e bancos ligados à ela. Ele só poderia, portanto, ser remunerado pela atuação em, no máximo, dois conselhos.

Ele ainda pediu ao vice-presidente da Caixa, Celso Leonardo Derziê Barbosa, que anotasse o CPF de todos os envolvidos na reunião. Caso o conteúdo da conversa vazasse, todos seriam punidos com a perda dos cargos que ocupavam Celso Leonardo é apontado como o responsável por promover perseguição interna aos que desagradavam Guimarães.

A tarefa de garantir que o teor da reunião não vazasse deveria ficar com Celso Leonardo porque, segundo Guimarães, Álvaro Pires, assessor do gabinete da presidência, é “pau mole” e teria coragem de fazer o que fosse necessário.

Em outro trecho vazado, revelado pelo colunista, Guimarães trata seus subordinados com desprezo, usa termos grosseiros e revela seu caráter autoritário: “isso aqui não é uma democracia”. Os áudios mostram o perfil centralizado do ex-presidente da Caixa. Os assuntos no banco deveriam passar pelo seu crivo ou pelo de sua chefe de gabinete, Rozana Alves Guimarães.

Funcionários da Caixa relataram que Guimarães, durante viagens a trabalho com subordinados, colocava pimenta na comida dos colegas e forçava-os a comê-la. Ainda que o então presidente desse tom de brincadeira à prática, uma funcionária classifica como ‘sadismo’. “Quanto mais você chora e passa mal, mais ele ri. Ele é bem sádico. Em toda refeição de trabalho com ele tinha pimenta no prato de alguém”.

*Com informações do Metrópoles