Graça Foster afirma que Operação Lava Jato fez bem à Petrobras

Ex-presidente da estatal se disse constrangida com casos de corrupção na empresa e afirmou que corrupção não começou na petrolífera

Graça Foster compareceu pela quinta vez à CPI da Petrobras | Foto:  Marcelo Camargo/Agência Brasil

Graça Foster compareceu pela quinta vez à CPI da Petrobras | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, foi ouvida pela quinta vez pelo Congresso Nacional para explicar irregularidades na Petrobras nesta quinta-feira (26/3). De acordo com Graça, a fiscalização dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), melhorou a gestão da estatal.

“Não posso deixar de repetir aqui o bem que a Lava Jato está fazendo à Petrobras”, ressaltou a ex-presidente da petrolífera. Ela disse estar constrangida com casos de corrupção na Petrobras e por ter ido à CPI para tratar do assunto. Para ela, a corrupção começou fora da empresa. “Eu passo horas dos meus dias pensando no que aconteceu com a Petrobras.”

Graça afirmou ainda que as investigações do esquema de corrupção que acontecia na estatal estão mudando o país e são uma lição que “não vai ser esquecida nunca mais”. Para a ex-presidente, a Petrobras merecia um gestor melhor que ela. “Alguém que identificasse esse tipo de caso de corrupção”, defendeu.

Em mais de cinco horas de depoimento, Graça respondeu a perguntas relativas à compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e à participação da Petrobras nos projetos que envolvem a transportadora Gasene e a empresa Sete Brasil.

Sobre a criação da Gasene, a ex-presidente disse que tinha “vergonha” do projeto em função da descoberta de propinas pagas pelas empresas contratadas a diretores da Petrobras. “Tenho orgulho de ter participado disso, mas tenho vergonha também”, explicou.

Ela admitiu que o gasoduto acabou custando 20% a mais que o previsto. “Mas eu considero este adicional razoável. O valor justo do Gasene supera em alguns bilhões o valor contábil. Isso significa que não tivemos prejuízo com o Gasene”, disse ela.

Para ela, aos “olhos de hoje”, a compra da Refinaria de Pasadena foi um erro. “Dizer que Pasadena é um mau negócio em 2014 e 2015 é fácil, mas a questão de Pasadena, lá atrás, de fazer investimentos necessários para aumentar a capacidade de refino, pareceu ser um negócio positivo”, afirmou.

Ao falar da Abreu e Lima, a ex-presidente da Petrobras afirmou que o aumento do custo final da refinaria deveu-se à ausência de um projeto básico estruturado. Estimada em US$ 2,5 bilhões, a refinaria teve seu valor final orçado em US$ 18,5 bilhões, em razão de uma série de aditivos ao contrato.

“Se você não tem projetos básicos de qualidade, você vai ter aditivos. Na Abreu e Lima, a questão principal foram as mudanças sucessivas no projeto. Até as características do petróleo que seria refinado ali mudaram durante o processo”, explicou.

Ao tratar do caso da SBM Offshore, Graça defendeu sua gestão e disse que mandou cancelar todos os contratos da Petrobras com a empresa holandesa assim que soube do pagamento de propinas a diretores da estatal.

Graças Foster considerou como “justo” o valor contábil de R$ 88 bilhões referentes a perdas da Petrobras, conforme balanço da empresa apresentado ao Conselho de Administração da Petrobras em janeiro último.

A ex-presidente da estatal, que continua depondo na CPI da Petrobras, negou, porém, que esse valor corresponda a perdas com corrupção verificadas pela Operação Lava Jato. “Esses R$ 88 bilhões representam o valor justo por conta de uma série de ineficiências, até mesmo por causa de chuva e outros, não são o número da corrupção”, disse à CPI da Petrobras.

“Eu defendi na ocasião que o mercado deveria ser informado deste valor, mesmo que a metodologia usada para fazer o cálculo seja questionada”, disse Graça Foster. “A presidente Dilma Roussef pediu para a senhora não divulgar este balanço?”, perguntou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). “Não, a presidente nunca me pediu isso”, ela respondeu.

Lorenzoni também questionou a ex-presidente da Petrobras a respeito da afirmação feita pela ex-funcionária da Petrobras Venina Velosa de que teria alertado Graça Foster a respeito de corrupção na Petrobras. A ex-presidente da Petrobras voltou a dizer que não foi informada de irregularidades.

O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou que concorda com a fala de Graça Foster e que isso contradiz nota oficial do PT, que afirma que as investigações estão provocando prejuízos à empresa.

Tumulto

A não convocação do empresário Fernando Soares pela CPI da Petrobras causou discussão entre deputados do PT e do PMDB na CPI da Petrobras. O deputado Jorge Solla (PT-BA) questionou, durante o depoimento da ex-presidente da Petrobras, Maria das Graças Fortes, o fato de o requerimento de convocação de Soares não ter sido votado.

“Como é que essa comissão pode continuar sem convocar Fernando Soares?”, perguntou Solla. Ele citou matérias publicadas na imprensa que atribuíam a não convocação à obstrução de deputados da própria CPI.

O Ministério Público Federal acusa Soares de ser operador do PMDB no esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. Até agora, o único operador financeiro convocado pela CPI foi João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

O deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) rebateu Solla. “Isso é uma leviandade. Por acaso a convocação de Soares consta do plano de trabalho apresentado pelo relator da CPI?”, perguntou.

O relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), explicou que o plano de trabalho não prevê a convocação de Soares porque era impossível reproduzir todos os mais de 300 requerimentos apresentados à CPI no documento. “Eu já expliquei que não estou aqui para perseguir e nem para proteger ninguém”, disse.

*Com informações da Agência Câmara

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