Governo federal pagou Bolsa Família a 188 mortos em Goiás, diz MPF

Suspeita é de que, entre 2013 e 2016, mais de 18 mil beneficiários receberam auxílio de forma irregular

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou, nesta sexta-feira (11/11), o “Raio-X Bolsa Família”, ação nacional coordenada pela instituição que tem como objetivo realizar um diagnóstico sobre o maior programa de transferência de renda do governo federal em todo o país.

Em Goiás, os dados mostram que aproximadamente 18 mil beneficiários foram enquadrados como perfis suspeitos de receberem o auxílio de forma irregular. No período de 2013 a maio de 2016, foram pagos mais de R$ 1,86 bilhão pelo governo federal no estado, sendo quase R$ 63,5 milhões para os apontados como incompatíveis.

Os casos suspeitos foram identificados por meio de ferramenta de inteligência desenvolvida pelo Ministério Público Federal a partir do cruzamento de dados públicos fornecidos pelo próprio governo, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Receita Federal e pelos Tribunais de Contas estaduais e municipais.

Os principais grupos de beneficiários em Goiás, com indicativos de renda incompatível com o perfil de pobreza ou extrema pobreza exigido pelas normas do programa, foram os empresários, com 16.237 casos; servidores públicos (clã de até 4 pessoas), com 1.921 ocorrências; doadores de campanha 217; mortos, 188; e servidores públicos doadores de campanha, com 29 casos.

Os cinco municípios com maiores percentuais de perfis suspeitos, totalizando quase 40% dos casos em Goiás, foram Moiporá, Alto Paraíso de Goiás, Firminópolis, Rio Quente e Três Ranchos.

Veja o gráfico abaixo:

bolsa-familia-goias

Brasil

De acordo com o MPF, foram expedidas recomendações a 4.703 prefeituras para que realizem visitas domiciliares a mais de 870 mil beneficiários do programa Bolsa Família suspeitos de não cumprir os requisitos econômicos estabelecidos pelo governo federal para recebimento do benefício.

Segundo o Raio-X Bolsa Família, projeto de iniciativa do MPF, de 2013 a maio de 2016, os pagamentos a perfis suspeitos de irregularidades totalizam mais de R$ 3,3 bilhões. O Raio-X Bolsa Família é uma ação nacional coordenada pelas Câmaras Criminal e de Combate à Corrupção do MPF.

As recomendações foram expedidas em todo o país no período de julho a setembro deste ano, com prazo de 60 a 120 dias para que os gestores municipais informassem o número de irregularidades confirmadas e de benefícios cancelados. As respostas às recomendações ainda estão sendo recebidas e processadas pelo MPF.

Os dados completos podem ser acessados aqui.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.