Governo diz que números do Atlas da Violência estão defasados e podem ser tendenciosos

SSP contesta que dados são de 2016 e metodologia do levantamento utiliza informações do Ministério da Saúde, enquanto o levantamento do governo utiliza dados das polícias

Foto: Raphael Alves

O governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP-GO), rebateu em entrevista ao Jornal Opção, os números do “Atlas da Violência”, levantamento divulgado na última segunda-feira (4/6) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do governo federal.

Segundo o documento, de 2006 até 2016, Goiás teve um aumento de 72,2% na taxa de homicídios. Entre os anos de 2011 até 2016, o incremento foi de 21,4%. No ranking de comparação entre os demais estados, Goiás fica na 8ª colocação no número de mortes violentas, com uma taxa de homicídios 50% maior que a média nacional.

“Esses números estão completamente defasados. São de dois anos atrás e não condizem mais. Há mais de 15 meses que temos quedas em todos os índices”, afirmou o secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Jr. “É complicado fazermos uma comparação desses índices, porque são antigos. Não condizem com os dados que temos atualmente”, completou.

Nesta semana, o governo divulgou números da violência em Goiás que utilizam uma metodologia diferente e mostram outra tendência.

Segundo a SSP, o Estado registrou queda em todos os indicadores criminais monitorados no mês de maio de 2018 em relação a maio do ano passado. Na comparação apresentada pela secretaria, existe redução de 36,36% no número de latrocínios, de 14,21% de homicídios e de 20,69% no número de estupros.

Segundo o gerente do Observatório de Segurança Pública da SSPAP-GO, major Geyson Alves Borba, a diferença se dá porque os dados do Ipea têm como base informações do Ministério da Saúde e os dados da SSP são um compilado dos registros feitos pelas forças policiais e, portanto, não devem ser comparados.

“Esse tipo de estudo [do Ipea] é importante e interessante para direcionar caminhos, mas não representa a veracidade da violência e criminalidade no Estado. Além do lapso temporal, pode ser tendencioso utilizar números da Saúde para elaborar um panorama sobre violência, porque não se leva em consideração a motivação do crime, o que, para o combate à violência, é essencial”, explicou. Os dados divulgados pelo instituto nacional são de 2016.

Além disso, pontua o major, a maneira como foi apresentada a pesquisa do Ipea é diferente. “Para o instituto, todo tipo de agressão externa que leva à morte entra na contabilidade de homicídios. A SSP analisa a ocorrência de latrocínios, feminicídios, homicídios culposos, entre outros, ou seja, crimes que a polícia poderia combater. Tenho certeza que, se fizéssemos um levantamento com os mesmos critérios, chegaríamos a números bem parecidos”, disse.

O diretor do observatório informou ainda que a SSP mantém um controle em tempo real da mancha criminal em todo o Estado, que pode ser acompanhado pelo site da secretaria.

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