Em busca de mais qualidade, governo defende que nova empresa assuma concessão de energia em Goiás

Governador diz que situação é insustentável: “age na clandestinidade”

O governador Ronaldo Caiado (UB) esteve, na noite desta terça-feira, 10, em reunião no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília. Acompanhado por parlamentares goianos da Câmara dos Deputados, o gestor discutiu questões voltadas a uma possível venda da Enel Distribuição, sucessora da Celg-D, vendida na gestão anterior.

O tema da venda foi antecipado pelo Jornal Opção, onde as negociações giram em torno da Celg-D e os valores devem chegar a 2 bilhões de dólares. A informação foi dada pela agência de notícia Reuters. Segundo foi publicado, há três grandes empresas interessados em adquirir a Celg-D: CPFL Energia, controlada pela State Grid Corporation of China; a Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola; e a EDP Brasil, da qual a portuguesa EDP é a maior acionista. A reportagem assinada pelas repórteres Tatiana Bautzer e Letícia Fucuchima aponta que há também conversas com as brasileiras Energisa e Equatorial Energia.

Na avaliação de especialistas do setor, esse movimento de venda da Enel tem como base os ganhos econômicos e desprezo pelos impactos sociais ou na qualidade do fornecimento de energia – serviço considerado essencial para sociedade. O engenheiro eletricista Salatiel Pedrosa Soares Correia, trabalhou na Celg por 34 anos. Nesse período, ele pode conhecer a estatal e suas nuances como poucos, e o resultado desse conhecimento pode ser lido na obra “O Capitalismo Mundial e a Captura do Setor Elétrico na Periferia”, escrito por ele e lançado pela Editora Appris. Para ele, a venda da empresa por um valor tão alto é a demonstração de que o intuito sempre foi o de capitalizar a empresa, gerando divisas para a matriz da Enel, em seu país de origem.

O chefe do Executivo estadual reiterou os questionamentos quanto às negociações empreendidas pela companhia italiana para a venda da antiga Celg-D, apontamentos já apresentados ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Como uma empresa como a Enel pode alegar que não tem conhecimento da legislação brasileira?”, ponderou. “Eles estão agindo na clandestinidade”, alertou ao citar a falta de transparência, até mesmo, junto aos órgãos de controle, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A secretária-executiva do Ministério, Marisete Fátima Dadald Pereira, avaliou que é importante a participação do Estado e informou que o MEE buscará informações junto à Aneel para avaliar a exploração do serviço e obter dados sobre a venda da companhia. “Nós não tínhamos todas essas informações que estão nos trazendo. A gente assume esse compromisso de buscar junto à Aneel esse conjunto de informações de como estão essas tratativas”, concluiu. Uma nova reunião será realizada para acompanhamento do caso.

O governador defendeu a participação no processo de transferência de controle, com intuito de dar mais transparência e não perder de vista a atenção às carências do setor em Goiás. “Vamos continuar essa luta naquilo que tem sido o gargalo do crescimento de Goiás que é o fornecimento de energia elétrica. Goiás hoje não consegue crescer mais porque não tem oferta de energia elétrica”, frisou.

Para Caiado, o desempenho da empresa, em relação às metas e exigências de contrato, está aquém do compromisso firmado, com “prejuízos diários” em todos os segmentos da economia e ao cidadão comum. “Já é insustentável e a situação hoje caminha para a caducidade, ou seja, a Enel chegou ao total desleixo com as exigências para fazer com que o goiano tivesse uma correta distribuição de energia e está fadada, neste momento, a perder a concessão em Goiás”, afirmou.

“O Estado de Goiás fica em um ponto de risco inconcebível”, alertou o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima. De acordo com o auxiliar do Governo, a insegurança está na condução da companhia italiana no processo que comercializa a operação do serviço que está prestes a perder. “Se decretasse a caducidade, a concessão voltaria ao governo federal que teria que, de forma urgente, encontrar alguém para operar o sistema, provavelmente com dificuldade de fazer investimentos e iniciando outro processo de privatização”, explicou. “A situação seria mais caótica do que está hoje”, advertiu.

Ao Jornal Opção, a assessoria de imprensa da Enel afirmou que não vai comentar sobre o assunto.

*Matéria atualizada em 12 de maio de 2022 para acréscimo de informação da assessoria de imprensa da Enel

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