Um anúncio de imóvel com preço atrativo pode esconder uma tentativa de golpe. Em Goiânia, imobiliárias e o Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás (Secovi Goiás) alertam para o chamado golpe do falso aluguel, em que criminosos se passam por proprietários ou representantes de empresas para convencer interessados a pagar por uma locação que, na realidade, não existe.

As estratégias utilizadas pelos golpistas podem ir além da publicação de anúncios falsos na internet. Segundo o gerente comercial de Aluguel da Vésper Agência de Imóveis, Washington Silva, há casos em que os criminosos conseguem acesso ao imóvel, acompanham possíveis locatários durante visitas e criam histórias para conquistar a confiança das vítimas.

Em uma das situações identificadas pela imobiliária, uma mulher se apresentou durante uma visita como filha do proprietário. Ela afirmou que o pai estava doente e que, por isso, teria assumido a administração da propriedade.

Com a história, a mulher conseguiu conduzir a negociação e convencer o interessado de que era responsável pelo imóvel. A fraude avançou até a assinatura de documentos e o pagamento do aluguel. “Eles criam um contrato falso, emitem o documento e solicitam a assinatura por meio do GOV. Depois, a pessoa faz o pagamento do aluguel para uma conta indicada por eles e, nesse momento, acaba caindo no golpe”, relata Washington.

Golpistas podem ter acesso ao imóvel

De acordo com o gerente, outra estratégia utilizada pelos criminosos é retirar placas de imobiliárias instaladas nos imóveis e conseguir acesso físico às propriedades.

Em alguns casos, os golpistas chegam a contratar um chaveiro para entrar no local. Com as chaves em mãos, conseguem apresentar o imóvel a possíveis interessados e se passar por responsáveis pela negociação. “Esse processo pode acontecer muito rapidamente. A imobiliária nem sempre consegue identificar, em um espaço de tempo tão curto, que aquele imóvel está sendo utilizado para a aplicação de um golpe”, explica.

Depois de obter acesso ao imóvel, os criminosos podem anunciar a propriedade em plataformas digitais, como a OLX, geralmente por valores abaixo dos praticados na região.

O preço mais baixo funciona como chamariz para atrair interessados e acelerar a negociação antes que o proprietário ou a imobiliária responsável percebam a fraude.

Preço muito baixo é sinal de alerta

Para o diretor do Secovi Goiás, Isnard Borges Machado Junior, orientar os consumidores é uma das principais formas de combater esse tipo de crime. “Temos a capacidade de receber informações, centralizar e pulverizar para a sociedade como não cair nesse golpe”, afirma.

Segundo Isnard, valores muito abaixo dos praticados no mercado devem despertar desconfiança. Outra situação que merece atenção é a exigência de pagamento antecipado. “A maioria das imobiliárias recebe o aluguel vencido, não antecipado. São duas situações que já podem indicar golpe”, explica.

A recomendação é verificar se a pessoa responsável pela negociação realmente trabalha na imobiliária indicada no anúncio. Também é importante pesquisar a empresa, conferir o endereço e confirmar a identidade do representante antes de assinar documentos ou transferir qualquer quantia.

O diretor alerta ainda que os criminosos podem se apresentar de maneira convincente. Há casos em que visitam imóveis como se fossem clientes, conseguem copiar as chaves e, posteriormente, utilizam a propriedade para aplicar o golpe.

O que fazer se cair no golpe

Quem perceber que realizou um pagamento a um falso locador deve agir rapidamente. A primeira orientação é entrar em contato com a instituição financeira para verificar a possibilidade de bloquear ou recuperar o valor transferido.

Em seguida, a vítima deve registrar um boletim de ocorrência e preservar todas as informações relacionadas à negociação. Conversas, números de telefone, comprovantes de pagamento, anúncios, contratos e outros registros podem ajudar na investigação.

Para o Secovi Goiás, também é importante não confiar apenas na aparência ou no comportamento de quem se apresenta como proprietário ou representante de uma imobiliária. “O golpista pode ter boa apresentação, chegar em veículo de luxo e criar um ambiente convincente. Mas tudo isso é falso. É preciso procurar empresas sérias e consolidadas no mercado para garantir segurança na transação imobiliária”, conclui Isnard.

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