Goiás realiza encontro sobre Consultórios na Rua em meio a denúncias de desmonte no atendimento à população em situação de rua
06 maio 2026 às 16h55

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Com cinco equipes de Consultório na Rua em Goiânia — número que, segundo trabalhadores e representantes do movimento social, “mal equivalem a duas equipes completas” — profissionais da saúde, pesquisadores, gestores públicos e representantes da população em situação de rua participam, nesta terça, 6, e quarta-feira, 7, do V Encontro de Equipes de Consultórios na Rua do Estado de Goiás, realizado em Goiânia. O evento debate os desafios da atenção à saúde da população em situação de rua em um cenário marcado pela precarização dos serviços, redução de equipes e aumento da demanda.
Em entrevista ao Jornal Opção, o coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua em Goiás (MNPR-GO), Eduardo de Matos, afirmou que a estrutura atual dos consultórios em Goiânia está fragilizada e não acompanha o crescimento da população em situação de rua na capital. “Hoje tem cinco equipes em Goiânia, mas se juntar as cinco, mal dá uma ou duas completas. Isso é um fato real”, afirmou.
Segundo Eduardo, atualmente duas equipes atuam na região do Bairro Goiá e outras três no Cais Vila Nova, distribuídas entre turnos matutino, vespertino e noturno. Ele compara a situação atual com a realidade encontrada em 2014, quando passou a acompanhar de perto o serviço.
“Naquela época, as equipes tinham educador social, redutor de danos, profissional de educação física, assistente social, enfermeiro, técnico de enfermagem, médico. Hoje você vai lá e vê o que sobrou”, disse.
O coordenador também denunciou um processo de redução de profissionais de nível superior nas áreas de assistência social e saúde em Goiânia, o que, segundo ele, tem impactado diretamente o atendimento à população vulnerável.
“Com esse desmonte na assistência social, na saúde e nos direitos humanos, tudo vai fragilizando nossas equipes”, declarou.
Eduardo critica ainda a ausência de concursos públicos e a adoção de políticas de terceirização na gestão municipal. “O que deveria ser feito era concurso público. Na pior das hipóteses, contratos para manter as equipes funcionando. Mas isso não acontece”, afirmou.
Ele destaca que, enquanto os serviços diminuem, a população em situação de rua cresce de forma acelerada na capital.
“De 2014 para cá, pelo menos dobrou o número de pessoas em situação de rua em Goiânia. E os serviços, em vez de ampliar, foram reduzidos completamente”, alertou.
Além da precarização dos consultórios, Eduardo aponta fragilidade em toda a rede de assistência voltada à população em situação de rua, incluindo casas de acolhida e unidades do Centro POP.
O encontro municipal ocorre também como preparação para o 9º Encontro Nacional de Consultórios na Rua, previsto para acontecer neste ano. Segundo Eduardo, a participação de Goiás em eventos nacionais de formação e capacitação ainda é muito limitada.
“Não basta ampliar serviço. É preciso investir em capacitação permanente. Muitos profissionais nunca participaram desses encontros”, afirmou.
Para ele, divulgar amplamente a programação do evento ajuda a aproximar a sociedade do debate sobre saúde pública e direitos da população em situação de rua.
“Quanto mais informações as pessoas tiverem, melhor. Isso desperta questionamentos e faz a sociedade entender o que está acontecendo”, concluiu.
O encontro reúne representantes do Ministério da Saúde, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, universidades, movimentos sociais e trabalhadores das equipes de Consultório na Rua de diversos municípios goianos.
Programação do V Encontro de Equipes de Consultórios na Rua do Estado de Goiás
06 de maio (quarta-feira)
13h — Acolhida e abertura
13h05 às 13h15 — Apresentação cultural
13h15 às 13h55 — Mesa de abertura
Participação de representantes da Secretaria Estadual de Saúde, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, Conselho Estadual de Saúde, Movimento Nacional da População de Rua e trabalhadores dos Consultórios na Rua.
14h às 16h — Mesa 1
Os desafios na atenção à saúde da população em situação de rua na atualidade.
Debatedores:
- Veridiana Farias Machado (SMS Porto Alegre)
- Fernando Pessoa de Albuquerque (Ministério da Saúde)
Mediação:
- Eduardo de Matos (MNPR-GO)
16h às 16h30 — Debate
16h30 — Coffee-break e encerramento
07 de maio (quinta-feira)
7h30 às 8h — Acolhida
8h às 8h15 — Momento cultural
8h15 às 9h15 — Mesa 1
A universalização e a integralidade do cuidado em Goiás: limites, contradições e possibilidades.
10h às 11h — Mesa 2
Raça, gênero e interseccionalidade: implicações para o cuidado em saúde de mulheres em situação de rua.
13h30 — Apresentação de pesquisa
Consultório na Rua: o processo de trabalho como elemento fortalecedor do acesso aos serviços de saúde da população em situação de rua em Goiás.
14h às 16h — Intercâmbio de experiências
Participação das equipes dos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Catalão, Trindade, Goianira, Novo Gama e Rio Verde.
16h às 17h — Consolidado e debate
17h — Encerramento
Leia também: Movimento denuncia fechamento do Consultório na Rua noturno em Goiânia

