Goiás já registra 3.357 casos de sífilis adquirida apenas nos primeiros meses de 2026, conforme levantamento atualizado ao Jornal Opção pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES). Além disso, o estado contabiliza 964 casos da infecção em gestantes e 178 casos de sífilis congênita – transmitida da mãe para o feto. 

“A sífilis é uma das ISTs mais preocupantes em Goiás, em função do abandono e da falta de procura por tratamento”, afirma a SES. A comparação com o ano anterior revela a dimensão do problema. Em 2025, Goiás somou 12.091 casos de sífilis adquirida, 3.894 em gestantes e 712 de sífilis congênita. Embora os números parciais de 2026 ainda sejam menores, a tendência de crescimento permanece, conforme admite a própria SES. “A doença continua em crescimento, tanto na população geral quanto entre gestantes”, afirma a pasta.

Ademais, a secretaria explica que esse aumento não é exclusividade goiana, mas ocorre também em outras regiões do país. Entre os principais fatores apontados estão a maior oferta de testes (o que amplia o diagnóstico), a redução no uso consistente de preservativos, falhas ou abandono do tratamento, dificuldades no pré-natal adequado e condições sociais que dificultam o acesso aos serviços de saúde.

Aliás, o aumento de 46,6% dos casos registrado em 2025 já evidenciava que a transmissão segue ativa.

O que é a sífilis e como a bactéria age?

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável, causada pela bactéria Treponema pallidum. O microrganismo é sensível ao tratamento padrão com penicilina, que é eficaz e disponível gratuitamente no SUS.

A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais sem camisinha, por transfusão de sangue ou da mãe para o feto (sífilis congênita). Quanto ao beijo, o risco é considerado baixo e raro. Contudo, a transmissão pode acontecer se a pessoa infectada tiver feridas ativas (cancros) na boca ou lábios, facilitando a passagem da bactéria durante beijos. O risco, portanto, está no contato com a lesão, não na saliva.

Quais os riscos da sífilis na gravidez? 

Quando a mulher adquire sífilis durante a gravidez, os danos podem ser devastadores. Além de óbito fetal e abortamento, a infecção pode causar problemas graves ao bebê, como parto prematuro, baixo peso e sífilis congênita. 

Segundo a BVS Atenção Primária em Saúde , mais de 50% das crianças infectadas nascem assintomáticas, mas os primeiros sintomas costumam surgir nos primeiros três meses de vida. Por isso, a triagem sorológica da mãe durante o pré-natal e na maternidade é fundamental.

Vale destacar: acreditava-se que a infecção do feto não ocorresse antes do quarto mês de gestação, mas a ciência já constatou a presença da Treponema pallidum em fetos a partir de nove semanas. 

O uso do teste rápido para sífilis fica disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e busca reduzir os casos evitáveis de sífilis congênita.

Onde os casos se concentram?

De acordo com a SES, os casos ainda se concentram principalmente nas regiões mais populosas, como a região Central, Centro-Sul e o Entorno do Distrito Federal, além de áreas com maior urbanização.

No entanto, também há um processo de interiorização, com registros em praticamente todas as regiões de saúde do estado. Isso indica que a sífilis hoje não está restrita às grandes cidades, mas é um problema que acontece em todo o território goiano.

A própria SES lista os principais desafios: ampliar a testagem (especialmente para pessoas sem sintomas), diagnosticar precocemente, garantir tratamento oportuno com penicilina, evitar o abandono do tratamento, tratar também os parceiros para interromper a cadeia de transmissão e qualificar o pré-natal para evitar casos em bebês.

Embora o SUS ofereça diagnóstico e tratamento gratuitos, ainda há dificuldades na adesão ao cuidado completo.

Tratamento simples e gratuito: por que a população não procura?

A orientação da Secretaria é que a população procure uma unidade de saúde o quanto antes. A sífilis muitas vezes não apresenta sintomas evidentes, mas pode causar feridas nos órgãos genitais, manchas no corpo ou até passar despercebida.

Por isso, o ideal é realizar a testagem regular, buscar atendimento ao primeiro sinal ou após situação de risco e, no caso de gestantes, fazer o pré-natal completo.

A SES reforça que o tratamento é simples, gratuito e baseado principalmente na penicilina. Ele é oferecido nas unidades de saúde do SUS e, quando iniciado corretamente, leva à cura.

Mas é fundamental fazer o tratamento completo, tratar o(a) parceiro(a) e realizar acompanhamento para confirmar a cura. Segundo a SES, a sífilis tem cura e prevenção, mas ainda cresce por falta de diagnóstico precoce e interrupção do tratamento. 

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