Goianos lesaram vítimas em R$ 18 milhões com golpe de reconhecimento de paternidade

Organização criminosa foi denunciada pelo MP-GO; juiz e oito advogados são suspeitos de favorecer andamento dos casos

Fachada do Ministério Público do Estado de Goiás | Foto: Reprodução

Denúncias do Ministério Público revelam histórias de “faz de conta” que foram contadas na Justiça e somam um prejuízo de pelo menos R$ 18 milhões. Entre os acusados, está um juiz suspeito de fraudar as decisões em prol dos casos, com a intenção de favorecer a organização criminosa. De forma padrão, as vítimas – vivas e mortas – tiveram as contas bancárias repentinamente zeradas.

De acordo com o órgão, o grupo de pessoas contava uma história mentirosa – da qual faziam parte – em prol de conseguir o reconhecimento de maternidade ou paternidade. Para conseguir êxito, oito advogados trabalhavam com os falsos processos e dois policiais eram responsáveis por escolher as vítimas e o juiz atuava na deferência dos falsos casos.

Suspeitos de envolvimento

Eucrídia Barbosa da Silva, moradora de Inhumas, em Goiás, é uma das acusadas . Na última sexta-feira, 22, ela chegou a receber um título na Câmara Municipal de Goiânia. Apesar de, nos perfis de suas redes sociais, postar foto com um homem que afirma ser seu pai biológico – o francês Roger Lavallard, que faleceu em 2010 -, ela afirmou desconhecer o homem, durante depoimento à Justiça.

Ela afirmou, inclusive, ter sido abandonada por ele, e chegou a realizar o pedido de reconhecimento de paternidade socioafetiva de vínculo de convivência. Após ter o pedido aceito, ela passou a se chamar Eucrídia Luzia Barbosa da Silva Lavallard, e seis dias depois solicitou acesso à conta corrente de Lavallard. Isso, porque como o francês ex-professor do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) não tinha família no Brasil, deixou uma conta bancária milionária com sua morte.

A história não termina aí: Niemier Barbosa, irmão de Eucrídia, também entrou na Justiça com a intenção de ser reconhecido como filho de uma mulher que teria falecido há mais de dez anos – e assim, como Eucrídia, que ele também não conhecia. Ao ter o pedido deferido, fez o requerimento judicial para sacar cerca de R$ 2,4 milhões da conta bancária da suposta mãe.

Segundo a denúncia do Ministério Público, para não se expor, o juiz Levine Raja Artiaga só mantinha contato com uma pessoa da organização, que era responsável tanto por contatar os advogados que atuavam nos casos quanto por pagar o juiz a cada golpe.

Em levantamento da Procuradoria-Geral de Justiça de Goiás foram encontradas pelo menos 43 ações suspeitas por parte do juiz. Em seis delas, foram comprovados diversos crimes, como o de corrupção. Ao já ter sido afastado duas vezes do cargo – inclusive, após uma investigação e publicação do Fantástico sobre o caso -, a pena estimada ao juiz poderia chegar a 240 anos.

Em nota, a defesa do juiz afirmou que o homem foi vítima da quadrilha e que a falsificação dos documentos não era perceptível. Em outubro, ele chegou a entrar com pedido de aposentadoria por invalidez, mas o requerimento permanece em fase de perícia.

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