O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, apresentou nesta sexta-feira, 2, no Paço Municipal, o plano de prevenção, monitoramento e resposta aos efeitos do Super El Niño. A iniciativa reúne medidas para proteger a população e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, ondas de calor e incêndios. Durante a coletiva, o chefe do Executivo municipal destacou que a capital não contava com um plano de emergência antes de sua gestão e que, agora, a cidade trabalha com previsões cada vez mais antecipadas.

“Hoje nós temos um programa onde nós conseguimos ir prevendo cada vez mais longe, com mais tempo, o que vai acontecer”, afirmou Mabel. Segundo o prefeito, a rede de proteção meteorológica do Estado começou a instalar pluviômetros logo no início da gestão, após conversa com o governador de Goiás à época, Ronaldo Caiado. Atualmente, uma terceira rede está sendo posicionada em áreas mais distantes, o que permite saber a quantidade de chuva, a direção e a velocidade do vento, identificando qual bacia será atingida e onde os problemas podem ocorrer. 

Mabel também anunciou a intenção de adquirir um radar meteorológico para Goiânia. “Eu quero um radar em Goiânia, um radar com precisão, tanto questões de vento, como dessas chuvas e tudo mais”, declarou.

Prefeito de Goiânia, Sandro Mabel | Foto: Joabe Mendonça

O prefeito explicou que, com o monitoramento, equipes já são posicionadas antes dos eventos. “Sabemos que vai vir a chuva, nós já posicionamos os caminhões, as carregadeiras, tudo que vai precisar para aquela intervenção que nós já sabemos que vai acontecer.” Ele citou ainda a parceria com o aplicativo Waze, que passará a operar de forma integrada com a prefeitura. “Nós queremos operar o Waze também, para ser mais rápido. Tem uma emergência, soltou um sinal, você está na rua, muda para o Waze”, ressaltou.

Sobre incêndios, Mabel lembrou que Goiânia não tinha brigadas de incêndio e que, no primeiro ano de governo, começou a preparar equipes e adquirir equipamentos, como caminhões-pipa e quadriciclos. “Nós temos que fazer, como nos outros países, que são aquelas brigadas voluntárias, mas eles têm que ser treinados. Incêndio são os primeiros 15 minutos. É onde se controla o incêndio ou deixa ele alastrar. Se você agir rápido, já ajuda até que chegue a cavalaria, vamos dizer assim.”

Em relação às ondas de calor, o prefeito informou que todas as salas de aula da rede municipal foram climatizadas e que bebedouros foram instalados em escolas e postos de saúde. A meta é levar pontos de hidratação para terminais e locais de grande circulação. “A hidratação nesse momento, ela é muito importante. Às vezes a pessoa com aquele calor danado, não estava achando um ponto para beber água.”

Sobre os piscinões, Mabel explicou que a obra emergencial foi preparada, mas o custo estimado subiu de R$ 30 milhões para R$ 39 milhões, o que inviabilizou a contratação imediata. “Nós não temos como contratar uma coisa R$ 10 milhões mais caro do que o previsto.” Segundo ele, a licitação deve sair até dezembro e a execução ocorrerá no ano que vem.

O coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Robledo Mendonça de Farias, reforçou que a cidade está preparada. “Nós estamos preparados para qualquer tipo de evento adverso.” Ele alertou para fake news que comparam o Super El Niño a um tornado ou ciclone. “Não é nada disso. São consequências que eles causam na cidade.”

Robledo informou que, ao final do período chuvoso de 2025, foram registrados 135 pontos críticos de alagamento, e a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (SEINFRA) tem trabalhado na limpeza e desobstrução do sistema de drenagem. “A gente viu algo estarrecedor. Grande quantidade de entulhos dentro do sistema de drenagem, por incrível que pareça, até concreto tinha sido jogado ali.” 

Ele pediu apoio para campanhas educativas. “Não adianta nada nós planejarmos e colocamos as equipes nas ruas, se a parte principal, que é o cidadão, tomar a decisão de não enfrentar isso também. Isso tem que ser levado em consideração.”

O gerente do Centro de Informações Hidrológicas, Meteorológicas e Geológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, também destacou a evolução do monitoramento. “Hoje, a cada 10 minutos, nós sabemos onde está chovendo em Goiânia, onde não e também os demais municípios. Isso com uma rede de 280 pluviômetros automáticos respondendo tanto na questão da seca quanto de chuvas”. 

Mabel concluiu afirmando que a engrenagem montada pela prefeitura permite reagir rapidamente. “Hoje, Goiânia está preparada para esses eventos. Em qualquer escala.”

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