Goiânia comemora o Dia da Árvore como a cidade mais arborizada do Brasil e segunda do mundo

Capital goiana possui, segundo dados do IBGE, 89,5% de arborização por 100 mil habitantes. São cerca de 950 mil árvores, de 382 espécies diferentes

ipes brancos cassio neves

Florada de ipês brancos na rua lateral ao shopping Bougainville, no Setor Marista | Registro do jornalista Cássio Neves

Goiânia é a primeira entre as cidades acima de um milhão de habitantes no Brasil com mais árvores, sendo a segunda mais arborizada do mundo. Por esse motivo, foi possui o título de Capital Verde do Brasil, e chegou a ser considerada recentemente como a melhor cidade em qualidade de vida. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atrás da capital goiana estão Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba. Com 89,5% de arborização, segundo o Censo de 2010, em âmbito mundial, Goiânia só perde para Edmonton, no Canadá, que chegou à marca de concentração de 100 metros quadrados de árvores por habitante.

Na capital existem cerca de 950 mil árvores, de 382 espécies diferentes. Em Goiânia, além dos coloridos ipês (roxo, rosa, amarelo e branco), não é difícil encontrar os frondosos flamboyants, as grandes palmeiras imperiais e as sobreiras das sete-copas. Mesmo assim, o tipo mais comum é a monguba, nativa da América Central e típica do Cerrado. Na sequência estão as árvores de sibipiruna e guariroba.

No próximo dia 21, domingo, é comemorado o Dia da Árvore, e pensando nisso a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) aproveitou para divulgar algumas ações da pasta de proteção, sobretudo, das Áreas de Preservação Ambiental (APAs). Segundo a analista ambiental do órgão, Adjane Damasceno, esse cuidado é importante porque as árvores são responsáveis por benefícios ecológicos, estéticos e sociais para a cidade, interferindo diretamente no microclima, na proteção do solo e na sobrevivência da fauna.

Ipê/ Centro de Goiânia | Registro do jornalista Cássio Neves

Ipê/ Avenida 136, Goiânia | Registro do jornalista Cássio Neves

Na capital as APAs são também opções de lazer. “Quando buscamos um lugar para diversão e para relaxar, muitas vezes queremos contato com a natureza”, ressalta Adjane. Se encaixam nessas opções o Bosque dos Buritis, os Parques Areião, Vaca-Brava, Lago das Rosas e Flamboyant.

Para o gestor de Recursos Naturais da Semarh, Marcelo Alves Pacheco, é importante conscientizar sempre mais a população quanto à preservação das árvores. “Hoje está claro e compreendido pela ciência, sendo internalizado pela sociedade, que tão importantes quanto os espaços destinados à produção industrial e agricultura são as áreas com presença de ambiente natural mais conservado possível”, ressalta, explicando que essa importância se deve a vários aspectos, dentre os quais a questão climática. “Em áreas próximas a parques temos temperaturas mais agradáveis, a cobertura vegetal também influi na permeabilização do solo que está diretamente relacionada à água disponível hoje para as pessoas para utilização de forma geral”, exemplifica, emendando que “em locais que houve uma remoção ou grande desmatamento, pouco tempo depois foram observados problemas como falta d´água ou enchentes”.

São administradas atualmente pela Semarh 22 unidades de conservação ecológica em Goiás, das quais 12 são parques, cuja utilização restrita e foco específico é a de preservação ambiental. Essas áreas são usadas para pesquisas cientificas e lazer. “Em outras dez unidades, que são chamadas de uso sustentável, é realizada uma série de ações inclusive com habitantes e comunidades locais no sentido de se alcançar um desenvolvimento equilibrado”, informa.

Essas localidades sofrem constantemente ameaças quanto a preservação, como por exemplo, os focos de incêndio em época de estiagem, além da própria expansão urbana. Segundo Marcelo Alves Pacheco, a Semarh concentra esforços em fiscalização dessas áreas, sendo que há equipes em campo se deslocando por terra, água e ar constantemente. “Além disso, realizamos ações integrais que envolvem o monitoramento da qualidade do ar, da água ou do desmatamento. Tudo isso visando à redução da degradação ambiental nesses espaços, que são objeto de uma proteção diferenciada”, afirma.

A pasta também tem atuado junto ao reflorestamento de espécies nativas do Cerrado, sendo que as duas principais iniciativas são desenvolvidas no Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, onde está sendo feito um grande plantio compensatório devido ao impacto ambiental causado pela duplicação da BR-060, de Goiânia a Jataí. Nesta área, a maioria das espécies era protegida por lei, como as aroeiras e angicos.

Outra ação de reflorestamento se dá no Parque Estadual do Ribeirão João Leite, onde têm sido plantadas mudas em uma área de 2 mil hectares, na margem do reservatório da barragem do Sistema Produtor João Leite, que abastece Goiânia e Região Metropolitana. Já foram plantadas lá mais de 17 mil mudas de ipês, paineiras, jatobás e angicos por meio do Programa Compensar Ambiental, que prevê o aumento de áreas verdes no Estado para reduzir os impactos das emissões de gases de efeito estufa.

Deixe um comentário