Defensores da união partidária defendem a aparição de uma nova força política que represente de fato “a mudança”

PSB, PPS e Solidariedade deram início às negociações para uma possível fusão entre as legendas, o que tornaria o aglomerado partidário a terceira maior sigla da Câmara Federal, com 59 parlamentares, além de se configurar uma alternativa à polarização entre PT e PSDB. Apesar das conjecturas nacionais favoráveis à união partidária, tendo como objetivo principal o fortalecimento da oposição à presidente reeleita Dilma Rousseff (PT), a fusão não levaria em conta as peculiaridades regionais das siglas envolvidas.

Para o presidente estadual do PPS, Marcos Abraão Roriz, as questões estaduais não estão sendo aventadas na discussão, a qual ele classifica como “bastante ampla e complexa”. Em Goiás, o PPS está na base do governador Marconi Perillo (PSDB), enquanto que o Solidariedade de Armando Vergílio esteve ao lado do peemedebista Iris Rezende na disputa ao Palácio das Esmeraldas. Já o PSB, do ex-candidato a governador Vanderlan Cardoso, segue como terceira via no Estado.

“Não é uma questão simples. Como vamos fazer a fusão de duas bases que são antagônicas no Estado? Quem comandaria? Em nível de articulação nacional é muito positivo, mas não há como superar as questões regionais”, defendeu Marcos Abraão em entrevista ao Jornal Opção Online na tarde desta quarta-feira (29/10).

Filiado ao PSB e ligado ao grupo da ex-senadora Marina Silva (PSB-Rede), o vereador Elias Vaz acredita que a fusão é possível desde que os partidos envolvidos tenham “identidade programática”. “Quando você tem afinidade ideológica não vejo nenhum problema. O que não pode é unir por conveniência”, defende, alegando desconhecer a possibilidade do Solidariedade integrar a lista dos partidos passíveis de fusão. A reportagem entrou em contato com as lideranças do Solidariedade em Goiás, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Passadas as eleições, Elias Vaz lembra que o pleito deste ano foi o quinto consecutivo em que dominou a polaridade entre PT e PSDB. A possibilidade de fusão entre os partidos e a consequente criação de uma “terceira via fortalecida” se configuraria, para o legislador, em uma alternativa eficaz para o cenário descrito. “Tem espaço para constituir uma coisa diferente. A sociedade já está exausta desta polarização”, frisou, emendando que a tendência da Rede Sustentabilidade é a de não aderir ao possível bloco.

Em Brasília, os defensores da união também recorrem ao resultado acirrado das urnas no último dia 26 para defender que esta é a hora da aparição de uma nova força política que represente de fato a “mudança” citada de forma tão recorrente nos discursos dos candidatos nas eleições deste ano.

DEM

Com uma bancada eleita de 22 deputados — seis a menos do que o atual mandato — e nenhum governador eleito, o Democratas também analisa a possibilidade de fusão com um ou mais partidos. Se levado em conta às atuais conjecturas políticas, a alternativa mais óbvia, talvez, seria a união ao PSDB. O cenário, no entanto, já foi descartado pelo presidente do partido, senador Agripino Maia. Para ele, a extinção ou fusão da legenda é algo “fora de questão”.

“Eu vou fazer uma reunião com a bancada federal, com senadores, para a gente buscar alternativas de crescimento. Não temos nenhuma tese definida, não há tese de extinção, nem de fusão. Isso está fora de pauta. Isso está fora de questão”, defendeu.