Fruto do Cerrado é base de pesquisa para tratamento natural do vitiligo

A ‘Mama-Cadela’ é conhecida popularmente por suas propriedades de repigmentação da pele; vitiligo está ganhando mais visibilidade devido a participação da modelo e designer de unhas Natalia Deotado no Big Brother Brasil 22

O vitiligo pode ganhar na ‘mama-cadela’, um fruto do cerrado, um tratamento de repigmentação da pele. O estudo está sendo feito há mais de dez anos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), que estuda a criação de gel e cremes para que os pacientes utilizem os produtos do fruto para auxiliar na redução das manchas que podem ser provocadas pela doença. Hoje, o vitiligo ganha ainda mais visibilidade devido a participação da modelo e designer de unhas Natália Deodato no reality show Big Brother Brasil, edição de 2022. 

A participante tem reforçado que existem poucas informações para as pessoas que têm a doença. Isso, porque ela foi diagnosticada com a doença aos 9 anos. Desde então, trouxe à tona diversas questões sobre a doença com a qual vive desde a infância, a tornando “pintadinha”. Segundo a dermatologista e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed) Renata Bertino, o vitiligo é caracterizado pela alteração da função ou ausência de melanócitos, que são as células responsáveis pela produção de melanina, que é o pigmento que dá a cor à pele, cabelo, pelo e olhos.

“Devido à ausência de produção de melanina, há o aparecimento de manchas esbranquiçadas com localização e distribuição características, principalmente nas mãos, pés, joelhos, rosto e cotovelos, podendo também, em alguns casos, haver descoloração de cabelo e pelo e alteração na sensibilidade do local. Isso possibilita o diagnóstico essencialmente clínico”, explica. 

Além disso, Renata reforça que os sintomas de vitiligo são mais frequentes antes dos 20 anos, como em Natália, mas podem surgir em qualquer idade e em qualquer tipo de pele, embora seja mais frequente em pessoas de pele mais escura. “A maioria dos pacientes não manifesta qualquer sintoma além do surgimento de manchas brancas na pele”, observa. Entretanto, argumenta “em alguns casos, os pacientes relatam sentir sensibilidade e dor na área afetada”. 

Ela pontua que “atualmente existem excelentes resultados no tratamento da doença. O fato de não se falar em cura, não quer dizer que não existam várias opções terapêuticas”. “O paciente tem que acreditar e buscar ajuda médica”, ressalta Renata. Também é preciso destacar que existem três possíveis causas para esta doença, podendo ela ser de origem autoimune, de origem genética e por estresse, uma das hipóteses que mais vem crescendo na atualidade. 

Tratamento no Cerrado 

Para a pesquisadora sobre vitiligo e professora do curso de Farmácia da Estácio e doutora em ciências farmacêuticas, Mariana Cristina de Morais, existem tratamentos que fazem efeito e que têm origem no próprio Cerrado brasileiro. “A mama-cadela, por exemplo, é um fruto típico desta região que pode ser utilizado no desenvolvimento de cremes, géis e pomadas para serem utilizados na pele e comprimidos para o uso complementar oral do tratamento”, revela. 

A pesquisa está sendo desenvolvida há 10 anos, sob coordenação do professor Edemilson Cardoso da Conceição, professor titular da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Escolhemos a mama-cadela pois já tínhamos um conhecimento tradicional. As pessoas usam o chá da planta, como um conhecimento popular, para ajudar a repigmentar a pele. Por meio desta informação, fizemos um estudo científico para entender melhor a planta e suas propriedades”, relata Mariana. 

Foi durante o estudo que foram encontradas substâncias que são extraídas da planta e ocasionam a repigmentação da pele. Produtos como gel e cremes, para que os pacientes consigam reduzir as manchas por meio de um tratamento de uso correto estão sendo produzidos, seguindo os acompanhamentos recomendados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e todas as regras de manipulação da planta, que não pode ser feito em casa. 

“A planta pode apresentar toxicidade hepática quando usada incorretamente. Além disso, é importante não utilizar medicamentos sem uma avaliação médica indicada antes”, completa a professora. A farmacêutica e pesquisadora pontua que a fórmula dos produtos base ainda estão em fase de testes clínicos e não estão prontas para serem comercializadas”, pontua.  

Mariana está confiante com o resultado dos testes realizados e, segundo ela, as respostas são extremamente promissoras e tem um resultado muito rápido. “Os pacientes devem fazer uso diário das apresentações, aguardando 30 minutos e depois se expondo ao sol. A repigmentação da área afetada é feita de dentro para fora. Com isso, o efeito começa nas camadas mais internas da pele e seguem até a parte externa”, observa a profissional. 

A professora conta que fez um uso teste dos produtos em um tratamento. “Tenho manchas de vitiligo no queixo e no pé. Então fiz um tratamento teste, seguindo as recomendações de segurança, para avaliar os resultados. Fiz uma avaliação gradual e percebi que de fato surgiu efeito natural”, relata. 

Mariana ainda chama a atenção para o tratamento mais natural e menos agressivo. “Uma das formas de tratamento mais comum que temos no mercado é a fototerapia com radiação ultravioleta do tipo B (UVB). As luzes UVB são as mesmas usadas em bronzeamentos artificiais e podem ser muito agressivas para a pele. Ela pode ocasionar queimaduras e traz muitos inconvenientes para o paciente”, conclui. 

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