Com informações de Raphael Bezerra

Durante a assinatura do protocolo de intenções para viabilizar a instalação de uma fábrica de armamentos em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) confirmou que as forças de segurança poderão utilizar os equipamentos que serão fabricados em solo goiano. Segundo o governador, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) iniciará discussões técnicas com a empresa sul-coreana K Tech para avaliar a utilização dos armamentos produzidos.

“A Secretaria de Segurança Pública vai discutir a utilização desses equipamentos para que possamos também avançar nesse aspecto e fortalecer o armamento das nossas forças policiais”, destacou o governador.

De acordo com Raphael Santana, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial Brasil–Coreia do Sul, em pleno funcionamento, a nova fábrica deverá produzir armamentos e munições tanto para abastecer o mercado brasileiro quanto para exportação, transformando o Estado em um centro de distribuição para a América Latina e até para a América do Norte.

Além disso, Raphael destaca que a área onde será instalada a indústria ainda está sendo avaliada. A decisão será baseada em estudos técnicos conduzidos pela Secretaria de Segurança Pública em conjunto com a empresa. Ele pontua que, por se tratar da fabricação de armas e munições, o empreendimento exige um ambiente com requisitos específicos de segurança. Como anunciado anteriormente pelo Jornal Opção, duas cidades que podem receber a fábrica são Anápolis e Goiânia.

“Até por uma questão de segurança, uma empresa bélica só pode se instalar em um lugar que tenha condições de segurança. Não pode ficar longe de grandes centros e, por isso, a SSP vai nos ajudar”, pontua.

Fuzis e submetralhadoras

Na apresentação, os representantes da empresa pontuaram que deverão ser produzidos em solo goiano fuzis dos calibres 5.56 e 7.62, submetralhadoras e pistolas de diferentes calibres. Há ainda a possibilidade de a linha de produção ser adaptada, levando em consideração as necessidades das forças de segurança brasileiras em um prazo de poucos meses.

“Já mapeamos as necessidades do mercado brasileiro e conseguimos adequar o calibre utilizado por cada força de segurança em aproximadamente cinco ou seis meses”, destacou.

Na primeira etapa, a empresa estima investir entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões na implantação da fábrica de armamentos. A unidade deverá gerar cerca de 200 empregos diretos quando atingir sua capacidade plena de produção.

O planejamento inicial previa um prazo de três anos para que toda a produção fosse nacionalizada. Porém, segundo Raphael, a expectativa é que esse cronograma seja antecipado para que a fabricação comece o quanto antes.

“Nossa previsão era concluir esse processo em três anos, mas o presidente manifestou interesse em acelerar esse cronograma para que a fabricação completa aconteça o mais rapidamente possível.”

Ainda de acordo com Raphael, diversos estados demonstraram interesse em sediar a empresa, mas Goiás se destacou pela rapidez na condução das negociações e pelo ambiente favorável aos investimentos.

“Quando uma empresa desse porte decide investir no Brasil, vários estados entram na disputa. Mas Goiás foi muito rápido, e o presidente da K Tech não teve dúvidas de que este era o Estado certo”, pontuou.

Polo bélico

Segundo Edwal Portilho, presidente-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), a chegada da K Tech pode ser apenas o início da formação de um cluster industrial voltado ao setor de defesa em Goiás. Segundo ele, o Brasil perdeu parte de sua indústria bélica nas últimas décadas, abrindo espaço para novos investimentos.

“Quem sabe este seja o início de um cluster da indústria bélica em Goiás. Hoje, praticamente não existe no Brasil uma fábrica com esse nível tecnológico e esse potencial de crescimento”, pontuou.

Investimentos em outras áreas

Raphael Santana destacou ainda que o relacionamento entre Goiás e empresas da Coreia não deve ficar restrito ao setor de defesa. Segundo ele, existem oportunidades em segmentos ligados à saúde, medicamentos, hospitais e tecnologia.

“Não queremos trabalhar apenas com armamentos. Também há interesse em ampliar a cooperação em áreas como saúde, medicamentos, hospitais e outras tecnologias produzidas na Coreia”, finalizou.

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