FMI defende que Brasil precisa de reformas estruturais para sair da crise

Relatório Respondendo a Novas Realidades, divulgado na abertura da reunião do órgão no Peru, apresenta agenda global para países-membros

| Foto:  Stephen Jaffe

A diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde | Foto: Stephen Jaffe

O Brasil precisa fazer reformas estruturais, investindo em educação e melhoria no ambiente de negócios para voltar a crescer, recomendou nesta quinta-feira (8/10) o Fundo Monetário Internacional (FMI). As sugestões constam do relatório Respondendo a Novas Realidades, divulgado pela diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, na abertura da reunião do órgão em Lima, no Peru.

O documento, que contém uma agenda global de políticas para os países-membros do órgão, fez uma série de recomendações ao Brasil e a outros países emergentes afetados pela queda do preço das commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional). Em relação ao Brasil, o FMI sugeriu investimentos em educação e reformas no mercado de trabalho para elevar a produtividade do país.

“Em mercados emergentes e países em desenvolvimento, enfrentar os gargalos na infraestrutura energética (Índia, Indonésia, África do Sul e Tanzânia), melhorar as condições de negócio (Brasil, Rússia, Senegal, Oriente Médio e Ásia Central) e implementar reformas na educação e no mercado de trabalho e de produção (Brasil, China, Índia e África do Sul) podem impulsionar a produtividade e pavimentar o caminho para níveis mais altos de desenvolvimento”, destacou o relatório.

De acordo com o documento, apesar da recuperação em algumas economias avançadas, a economia global enfrenta um cenário difícil por causa da perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa, que afetou especialmente países exportadores de commodities, entre eles o Brasil.

Nos países avançados, a demanda continua deficiente, em meio a dúvidas sobre a continuidade da estagnação e o envelhecimento da população.

“Os Estados Unidos estão prontos para aumentar os juros em meio à recuperação econômica, a China passa por uma desaceleração esperada enquanto reequilibra o crescimento, criando transbordamentos maiores que o previsto, e os produtores de commodities enfrentam o fim de um longo ciclo de altos preços. Essas transições necessárias impõem um desafio, particularmente para países em desenvolvimento, emergentes e de baixa renda, cujas perspectivas decaíram mais”, acrescentou o documento.

Essa é a primeira vez que o FMI se reúne na América Latina em 50 anos. O encontro ocorre até domingo (11) na capital peruana. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participam da reunião.

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