Falta de repasse ameaça tratamento de pacientes renais em Goiânia

As clínicas, por sua vez, mesmo com as dramáticas condições de recursos, continuam atendendo pacientes com doença renal crônica, porém sem garantir até quando conseguirão manter

Desde novembro do ano passado, clínicas que realizam o tratamento de Terapia Renal substitutiva estão sem receber os repasses do governo. A previsão é de que as 13 clinicas de diálise só garantam o benefício em fevereiro. Mesmo com as dramáticas condições de recursos, as clínicas continuam atendendo pacientes com doença renal crônica

“Os pagamentos costumam ocorrer até o dia 18 de cada mês, esse ano foi dito que o orçamento não abriu ainda. Estamos no limite, recebendo um valor pelo serviço que já é 46% menor do que deveria ser e não podemos ao menos receber em dia. É um absurdo porque são serviços devidamente prestados”, explicou uma gestora de uma clinica, que prefere não se identificar.

As clínicas, por sua vez, mesmo com as dramáticas condições de recursos, continuam atendendo pacientes com doença renal crônica, porém sem garantir até quando conseguirão manter. A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) alerta que o atraso no repasse do pagamento da TRS pelas Secretarias de Saúde às clínicas conveniadas ao SUS está entre os problemas recorrentes na nefrologia, tanto nos governos estaduais, quanto nos municipais.

“Muitos gestores chegam a atrasar em mais de 40 dias o repasse após a liberação do recurso pelo Ministério da Saúde — sendo que de acordo com a legislação, o pagamento deveria ser feito em cinco dias úteis”, observou o presidente da ABCDT, Marcos Vieira.

Diante do atual cenário, a ABCDT vem lutando pelo fim dos atrasos de repasses e reitera a importância de as Secretarias manterem-se dentro do prazo legal da Portaria Ministerial e respeitarem os recursos do Fundo Nacional de Saúde destinados à nefrologia.

“Nossa maior preocupação está ligada à menor oferta de tratamento à população, uma vez que os pacientes dependem única e exclusivamente das sessões de hemodiálise para sobreviverem. Sobretudo com o aumento de custos e as novas demandas decorrentes da pandemia causada pelo Covid-19, chegamos a um ponto muito crítico. Temos funcionários afastados por Covid, moeda estrangeira impactando nos preços, faltam remédios e para piorar, governos que não levam a sério os prazos de pagamentos para os fornecedores. Até quando será assim? ”, diz o nefrologista Marcos Alexandre Vieira.

ABCDT

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) é uma entidade de classe que representa as clínicas de diálise de todo o país. Tem como principal objetivo zelar pelos direitos e interesses de seus associados, representando-os junto aos órgãos públicos, Ministério da Saúde, Senado Federal, Câmara Federal, Secretarias Estaduais e Municipais. Também representa as clínicas e defende seus interesses individuais e coletivos.

O jornalismo do Jornal Opção entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Goiânia, porém até o encerramento desta matéria não obteve resposta.

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