Na Câmara Municipal de Rio Verde, a vereadora Nayara Barcelos (NOVO) protocolou, há cerca de 20 dias, um documento que pede a abertura de um processo ético-disciplinar contra o ex-presidente da Câmara, Idelson Mendes. O objetivo é levar a assinatura dos demais parlamentares para que o caso seja levado à Comissão de Ética, que poderá analisar a conduta do parlamentar e decidir, ao final, pela cassação ou não do mandato.

Idelson renunciou  ao cargo de presidente em fevereiro deste ano, após a crise instaurada depois de sua prisão preventiva durante a quarta fase da Operação Regra Três, por suspeita de por suspeita de envolvimento em irregularidades em contratos e licitações no Legislativo municipal.

No entanto, a iniciativa da vereadora esbarra em um obstáculo político: o número mínimo de assinaturas ainda não foi alcançado.  Para que o processo avance, são necessárias sete adesões, o equivalente a um terço da Casa. Até agora, apenas três vereadores assinaram o pedido.

“Eu deixei há 20 dias uma cópia do processo na mesa de todos os vereadores para análise. A nossa expectativa é, até a próxima sessão de maio, conseguir as sete assinaturas para que a Comissão de Ética entre com o processo”, afirmou Nayara, em vídeo divulgado nas redes sociais.

A vereadora também fez questão de afastar qualquer interpretação pessoal sobre a iniciativa. “Deixando bem claro que não é uma decisão pessoal, mas é um dever constitucional pela quebra de decoro”, disse. Segundo ela, caso o processo seja instaurado, os trabalhos da Comissão de Ética devem durar até dois meses, com uma decisão final ao término desse período.

O silêncio dos demais

Enquanto isso, nos bastidores da Câmara, o cenário é de cautela e, em muitos casos, de silêncio. Ao Jornal Opção, o presidente da Casa, Cabo Moraes (PP), afirmou que a tramitação do pedido seguirá o rito regimental, caso alcance o número necessário de assinaturas. “Eu, como presidente da Câmara, se o projeto chegar lá, eu coloco ele em pauta para votação. A minha obrigação é essa”, explicou.

Ele destacou ainda que não cabe à presidência interferir na decisão individual dos parlamentares. “Cada vereador tem a sua mente, a sua forma de agir e eu não posso obrigar ninguém a fazer as coisas”, pontuou.

Sobre o caso envolvendo Idelson Mendes, Moraes esclareceu que ainda não há condenação judicial, o que limita medidas mais duras por parte da Câmara neste momento. “Até que se julgue esse HC dele, porque ele não tem ainda uma condenação, não existe uma condenação”, disse. Segundo o presidente, o vereador segue impossibilitado de manter contato com a Casa até que haja definição judicial.

Ele também mencionou que o afastamento previsto pela Lei Orgânica do Município tem prazo de 120 dias, e que novas decisões podem ser tomadas conforme o andamento do caso, seja pela via judicial ou política, dentro da própria Câmara.

Nos corredores, a dificuldade de avançar com as assinaturas também levanta hipóteses. O próprio presidente reconhece que fatores políticos podem influenciar. “Você vai ter que conversar com cada vereador. Por que ele não assinou ou porque ele está com resistência para assinar. Aí eu não posso responder por eles”, afirmou.

Nesse cenário, a atuação de Nayara ganha contornos de isolamento político, mas também de firmeza. Conhecida por votar contra projetos polêmicos, como aumento de impostos e reajustes salariais para parlamentares, ela mantém uma linha de independência que, agora, se reflete na condução desse processo.

Para além das articulações internas, o caso começa a ecoar fora da Câmara. A resposta, por enquanto, segue em aberto. E depende, antes de tudo, de quatro assinaturas.

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