Pressionados pela inflação, jovens transformam investimentos em fonte de renda
04 maio 2026 às 11h19

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Ao longo dos últimos anos, as novas gerações vêm se consolidando como investidores financeiros. Segundo o relatório Global Retail Investor Outlook, da Boston Consulting Group (BCG), 35% da Geração Z já realizou algum tipo de investimento financeiro.
A mesma pesquisa aponta que 58% dos entrevistados, nascidos entre 1994 e 2010, afirmaram ter aprendido sobre investimentos antes de ingressar no mercado de trabalho. Já o percentual dos que dizem se sentir confiantes em relação às aplicações chegou a 40%.
Apesar disso, esse conhecimento ainda não se traduz amplamente em investimentos mais estruturados. Apenas 36% desse grupo afirma aplicar recursos em fundos.
O movimento também aparece no perfil de investidores da B3, a bolsa de valores brasileira. Entre pessoas físicas, os jovens somam 2.294.325 contas, de um total de 6.409.899, o que representa cerca de 35% da base.
Mesmo com presença expressiva, o volume financeiro ainda é proporcionalmente menor. Essa faixa etária concentra R$ 44,06 bilhões dos R$ 686,73 bilhões aplicados, o equivalente a 6% do montante total.
Para o economista e diretor da VLGI Asset, do grupo XP, Matheus Portela, a tendência não é uma novidade, mas uma resposta ao aumento do custo de vida e à redução da renda disponível dos brasileiros. Segundo ele, a pressão econômica estreitou o acesso de muitos jovens a sonhos tradicionais, como a casa própria ou o financiamento de um veículo.
“Os jovens perceberam que alcançar essas metas exige disciplina financeira desde cedo, não dá mais para deixar para depois. Outro fator importante é a democratização do acesso aos investimentos: hoje qualquer pessoa consegue investir pelo celular, com valores baixos e muita informação disponível”, afirma.
Ao mesmo tempo, os investimentos também passaram a ser vistos como mecanismo para enfrentar o endividamento. Em um cenário de juros elevados, o brasileiro fica mais exposto à inadimplência.
Sem dúvida, a taxa de juros elevada é o maior vilão do endividamento. Quando alguém se endivida num ambiente de juros altos, é muito fácil entrar em uma espiral de endividamento crescente, na qual a dívida cresce mais rápido do que a capacidade de pagamento”, explica Portela.

Apesar disso, o economista alerta que os investimentos devem ser feitos com planejamento, para evitar um endividamento ainda maior. Ele também afasta a ideia de que apostas ou “bets” possam ser tratadas como aplicações financeiras.
Segundo Portela, o ideal é que o investidor busque orientação profissional antes de tomar decisões. Ele divide as aplicações por grau de risco e prazo de retorno, sempre de acordo com as metas pessoais de cada indivíduo.
Para depósitos de curto e médio prazo, o especialista cita títulos do Tesouro Direto, Certificados de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). “O ideal são investimentos com baixa oscilação e previsibilidade, como os de renda fixa e fundos conservadores”, afirma.
No caso das aplicações de longo prazo, os investimentos podem ocorrer por meio de fundos financeiros, fundos imobiliários ou aplicações diretas em ativos de maior risco. Portela, no entanto, alerta para a possibilidade de perdas, que podem ocorrer em razão da oscilação do mercado ou de problemas em instituições financeiras. “Para objetivos de longo prazo, é possível assumir mais risco, com exposição a ações e fundos imobiliários, por exemplo, mas desde que o investidor tenha perfil e tolerância para isso”, completa.
Por isso, ele defende que o investidor diversifique as aplicações para reduzir riscos. “A diversificação não elimina o risco, mas reduz significativamente o impacto de um evento adverso no patrimônio total”, adverte.
Por fim, o economista afirma que bons investidores devem se orientar por quatro princípios: formação de reserva de emergência, diversificação de crédito, investimentos baseados em metas próprias e busca por consultoria especializada ou conhecimento sobre as aplicações. “Na hora de fechar qualquer contrato, é fundamental entender os custos envolvidos, os riscos de cada produto, as condições de resgate e as garantias oferecidas. Desconfie de promessas de retorno muito acima da média do mercado”, conclui.
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