Cerca de 2 milhões de pessoas. Esse foi o público estimado para o show de Shakira em Copacabana, segundo autoridades do Rio. Mas especialistas questionam: esses números são reais? O evento, que custou R$ 15 milhões, pode movimentar até R$ 800 milhões na economia local. Ainda assim, estimativas de público em grandes eventos costumam ser imprecisas — e, muitas vezes, infladas.

Casos recentes reforçam a dúvida. O show de Lady Gaga, anunciado com 2,1 milhões de pessoas, foi considerado “altamente improvável” por análises independentes, que apontaram algo entre 600 mil e 660 mil. Situação semelhante ocorre em protestos e grandes eventos no Brasil, onde diferenças entre números oficiais e estimativas técnicas chegam a milhares por cento.

Especialistas explicam que o problema começa no “olhômetro”: humanos não são bons em estimar multidões. Além disso, há um efeito de comparação — números antigos, já inflados, servem de base para novos cálculos.

Hoje, métodos mais confiáveis usam cálculos de área e densidade. Um dos principais é o método de Jacobs, que multiplica o espaço ocupado pela quantidade média de pessoas por metro quadrado. Em eventos seguros, essa densidade costuma girar em torno de 3 a 5 pessoas/m².

Aplicando esses critérios, dificilmente eventos em Copacabana ultrapassariam 800 mil pessoas. Limitações físicas, infraestrutura urbana e logística tornam números milionários pouco plausíveis.

Novas tecnologias, como dados de celulares e imagens de drones com inteligência artificial, ajudam a melhorar a precisão. Mesmo assim, há desafios — como fluxo de entrada e saída e áreas cobertas.

A disputa por números altos não é apenas erro técnico: envolve interesses políticos, simbólicos e de marketing. Público maior significa mais impacto, mais visibilidade e maior sensação de sucesso.

Mas exagerar tem riscos. Superlotação pode comprometer a segurança e distorcer decisões públicas. Para especialistas, o foco deveria mudar: mais importante que o tamanho da multidão é o impacto econômico e social do evento.

No fim, a pergunta permanece: não é quantas pessoas dizem que estavam lá — mas quantas realmente cabiam.