Capa do Jornal Opção em 1976 | Foto: Divulgação/Jornal Opção

A edição número 21 do Jornal Opção, de 9 de maio/1976, traz na capa a charge, criada pelo cartunista Jorge Braga, de um homem da zona rural, descalço, maltrapilho e raquítico, com feições de uma pessoa doente e sem saída. Um retrato, em forma de charge, da saúde no Brasil rural de 1976.

A análise, para o Jornal Opção, foi feita pelo médico e então deputado estadual Henrique Santillo (depois, senador, governador de Goiás e ministro da Saúde no governo do presidente Itamar Franco), que fez uma radiografa da condição lastimável de saúde pública no país, principalmente da população rural.

Santillo escreveu: “São péssimas as condições de saúde da população brasileira, em que o envelhecimento precoce pela estafa (trabalho mal remunerado, com jornadas acima de 12 horas) por doenças infecciosas e parasitárias e pela desnutrição crônica é uma constante. Sua vida média é das menores entre todas as nações do globo e, entre seus filhos, a mortalidade infantil atinge índices alarmantes, segundo a OMS ( Organização Mundial da Saúde) o maior coeficiente de mortalidade infantil do continente americano é do Brasil”.

O Jornal Opção também chama na capa para uma entrevista especial com ex-governador de Goiás José Luiz Bittencourt — que, ao longo de uma vida de intenso labor intelectual, tornou-se grande conhecedor e pesquisador dos fenômenos políticos e sociais do país e do Estado. Na época, havia lançado um livro de estudos políticos e o Jornal Opção decidiu ouvi-lo a respeito de alguns dos mais importantes problemas do Brasil de meio século atrás. Que talvez não tenha mudado tanto.

Outra matéria que o Jornal Opção destacou, na capa da edição 21, foi sobre o radicalismo entre os partidos Arena e MDB (Brasil vivia sob a ditadura civil-militar) que vinha provocando tensão e tumulto na Assembleia Legislativa de Goiás. Impasses que prejudicaram as duas legendas e impediu que a Alego votasse dois importantes projetos e “consumiu dezenas de horas numa discussão que não provou muita coisa, além da imaturidade de alguns parlamentares, despreparados para o exercício do mandato”. Era o editorial escrito por Herbert de Moraes Ribeiro.