Fachin dá 5 dias para Moraes, Mendonça, PGR e Polícia Federal se explicarem sobre caso Master
04 setembro 2026 às 08h10

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira, 3, que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem esclarecimentos em até cinco dias sobre a crise institucional que envolve o chamado “caso Master”. A decisão foi tomada após o agravamento do impasse na Corte, que teve início na terça-feira, 1º, quando Mendonça tirou o sigilo de um relatório da PF que expõe mensagens e contatos entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.
Além disso, na noite de quinta-feira, Moraes reagiu ao pedir formalmente, com base no inquérito das fake news, uma investigação contra o próprio Mendonça, que é o relator do caso Master. O ministro afirmou haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, além de apontar suposto direcionamento das investigações contra ele e contra o senador Davi Alcolumbre (União-AP) por razões pessoais e políticas. Fachin abriu um procedimento para esclarecer questões levantadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em parecer que pediu a extinção da apuração conduzida por Mendonça.
De acordo com Fachin, as informações solicitadas devem abordar quatro pontos principais: o cumprimento pela PF das regras da Lei Orgânica da Magistratura em relação a autoridades com foro no STF; eventuais “indícios de que credenciais de acesso institucional tenham sido utilizadas para avaliar documento estritamente particular e de que informações sujeitas ao sigilo judicial foram reveladas a pessoa investigada”; as circunstâncias em que Mendonça determinou a identificação de pessoas mencionadas nas investigações do caso Master; e as medidas adotadas pela PGR para o controle externo da atividade policial.
O presidente da Corte ressaltou que as informações sobre a condução do relatório que apontou a relação entre Vorcaro e Moraes teriam chegado ao ministro antes do envio do caso à Procuradoria-Geral.
Em sua decisão, Fachin ainda destacou que os possíveis “vícios de forma” apontados pela PGR serão analisados posteriormente, mas enfatizou a necessidade de colher os depoimentos antes de qualquer deliberação. “Cabe à Presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”, afirmou o ministro.
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